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Líderes mundiais buscam acordo de princípios sobre IA
Líderes mundiais iniciaram nesta terça-feira (11) em Paris uma reunião de cúpula dedicada à Inteligência Artificial (IA), com o difícil objetivo de alcançar um consenso em uma declaração de princípios para governar uma tecnologia que está sacudindo todos os setores.
O desafio é "abraçar transformações tecnológicas formidáveis (...) e fazê-lo ao mesmo tempo em benefício de toda a humanidade", afirmou o presidente francês e coanfitrião do evento, Emmanuel Macron, no Grand Palais.
"Embora o potencial positivo da IA seja simplesmente extraordinário, há muitos preconceitos que não podemos ignorar", acrescentou o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, o sócio organizador da França no evento.
O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, o secretário-geral da ONU, António Guterres, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também discursarão no evento.
A reunião encerra vários dias de debates protagonizados por quase 1.500 convidados, incluindo magnatas do setor de tecnologia, cientistas e autoridades políticas, em meio a um frenesi de descobertas, como o recente chatbot chinês DeepSeek, e investimentos bilionários.
A oferta mais recente, segundo o Wall Street Journal, é a proposta do dono da rede social X e da Tesla, Elon Musk, para comprar a OpenAI, pioneira da IA, por 97,4 bilhões de dólares (563 bilhões de reais).
O CEO da OpenAI, Sam Altman, que abriu as portas da IA ao grande público com o ChatGPT no final de 2022 e iniciou os investimentos no setor ao lado de Musk, respondeu com ironia.
"Não, obrigado, mas se quiser, podemos comprar o Twitter (antigo nome do X) por 9,74 bilhões de dólares" (56 bilhões de reais). reagiu Altman.
- Muitas implicações -
"A Inteligência Artificial é definida como o ramo da informática que desenvolve sistemas capazes de realizar tarefas que normalmente requerem inteligência humana", explica o próprio ChatGPT ao ser questionado sobre o tema.
Para os líderes políticos presentes no Grand Palais de Paris também é sinônimo de uma nova mudança de modelo econômico, com implicações para a segurança nacional, o mercado de trabalho, a saúde e a educação.
A reunião de cúpula de Paris é a terceira realizada nos últimos dois anos.
A cerimônia de encerramento terá um discurso do CEO do Google, Sundar Pichai. Musk propôs falar por videoconferência, pois está muito ocupado em seu trabalho para ajudar o presidente Donald Trump a desmantelar as agências públicas nos Estados Unidos.
As autoridades políticas e os magnatas deveriam, a princípio, assinar uma declaração comum de regras de governança.
Analistas afirmam que Estados Unidos e Reino Unido não assinarão a declaração.
"O bom governo da IA exige regras claras que incentivem a aceitação da tecnologia de IA", propõe o chanceler alemão Olaf Scholz, segundo um rascunho de seu discurso ao qual a AFP teve acesso.
Max Tegmark, presidente do 'Future of Life Institute', uma organização sem fins lucrativos com sede nos Estados Unidos que regularmente faz advertências sobre os perigos da IA, pediu aos participantes que "não assinem" a declaração.
Após a circulação de um rascunho do acordo, Tegmark criticou o que considerou uma "oportunidade perdida". A razão principal é a suposta ausência de menções aos "riscos" associados à IA.
A enviada especial do Palácio do Eliseu, sede da presidência francesa, para a cúpula, Anne Bouverot, afirmou que o texto final seria "muito curto", sem especificar seu conteúdo.
- Investimentos -
Mais do que declarações comuns, as grandes potências do setor preferem se concentrar, no momento, em assumir a dianteira em termos de investimentos.
Trump anunciou uma aliança empresarial e de seu governo para reunir até 500 bilhões de dólares (2,89 trilhões de reais) em investimentos sob o nome 'Stargate', comandada por Sam Altman.
Do lado chinês, o avanço do DeepSeek, um novo chatbot praticamente tão avançado quanto os concorrentes americanos, mas muito mais barato, abalou o mercado.
E neste cenário de domínio americano e chinês, a Europa tenta não ficar para trás na corrida.
Macron anunciou na segunda-feira à noite até 109 bilhões de euros (650 bilhões de reais) em investimentos em seu país, embora liderados principalmente pelos Emirados Árabes Unidos e os gigantes do setor.
"Tenho um bom amigo do outro lado do oceano que anda dizendo 'perfure, baby, perfure!"', disse Macron em referência à política pró-combustíveis fósseis de Trump.
"Aqui não há necessidade de perfurar, aqui é: conecte, baby, conecte!"', acrescentou.
M.O.Allen--AT