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Inflação volta a subir em dezembro nos EUA, reforçando postura do Fed
A inflação nos Estados Unidos subiu para 2,6% em 12 meses em dezembro frente a 2,4% no mês anterior, segundo o índice PCE, publicado nesta sexta-feira (31), pelo Departamento de Comércio, o preferido pelo Federal Reserve para traçar sua política monetária.
Em dezembro, a inflação mensal foi de 0,3%, frente a 0,1% em novembro, um aumento em linha com o consenso dos analistas da MarketWatch.
A inflação subjacente, que exclui os preços voláteis de energia e alimentação, também teve um repique no mês para 0,2% frente a 0,1% em novembro. Em 12 meses, no entanto, se manteve estável, conforme o esperado pelo mercado.
O PCE é o índice mais acompanhado pelo Fed para definir sua política monetária. A instituição visa uma inflação de 2% ao ano.
- Perspectiva dos juros -
Este nível de aumento dos preços reforça a posição do Fed de aguardar antes de voltar a baixar suas taxas de juros, em particular com um mercado de trabalho sólido e um consumo que se mantém dinâmico.
"O informe mostrou uma inflação levemente mais alta, mas em linha com as expectativas, o que significa que não vai alterar a narrativa de um potencial corte dos juros na primeira metade do ano", avaliou Jochen Stanzl, chefe de análise de mercado do CMC Markets, em nota aos clientes.
Além disso, "isto reforça a reticência do Fed em dar sinais claros sobre quando vai baixar os juros" e sua prudência, acrescentou.
Na quarta-feira, o Fed manteve inalteradas suas taxas básicas de juros, provocando críticas do presidente Donald Trump, que quer reduzir o custo do dinheiro "imediatamente".
"Não precisamos nos apressar para ajustar nossa política" monetária, disse a jornalistas, na quarta-feira, o presidente do banco central americano, Jerome Powell, após a primeira reunião do Fed no segundo mandato de Trump. Ele ressaltou, ainda, que a maior economia do mundo segue sólida.
O Fed tem um duplo mandato: conter a inflação e obter o pleno emprego, e as taxas de juros são sua principal ferramenta para fazer seu trabalho.
Juros altos encarecem o crédito, desestimulando o consumo e o investimento. Isto reduz a pressão sobre os preços, mas também afeta a dinâmica da economia.
Nesta sexta, a governadora do Fed, Michelle Bowman, disse em New Hampshire que "há trabalho a fazer para levar a inflação perto da meta de 2%".
Na quinta, os dados oficiais mostraram que o PIB dos Estados Unidos cresceu 2,8% no ano passado.
A maior economia do mundo teve no último trimestre do ano passado uma expansão anualizada de 2,3%, cifra em sintonia com o consenso reunido pelo Briefing.com.
Segundo o PCE, a renda das famílias aumentou 0,4% em dezembro, mais que o 0,3% do mês anterior.
A poupança pessoal, medida em percentual de renda disponível, baixou levemente de 4,1% em novembro para 3,8% em dezembro, o que indica que os consumidores pouparam menos no mês passado.
"Da perspectiva do Fed, estes dados confirmam a posição do FOMC (Comitê Monetário do Fed) de que o ritmo do avanço para a meta de 2% de inflação diminuiu", ressaltaram os economistas da High Frequency Economics em nota aos clientes nesta sexta-feira.
A.Moore--AT