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Sob pressão, UE apresenta plano para recuperar competitividade de suas empresas
A União Europeia apresentou, nesta quarta-feira (29), a sua esperada "bússola da competitividade" para "reiniciar o motor de inovação europeu" e fazer com que as empresas do bloco recuperem a capacidade de competir com companhias dos Estados Unidos e da China.
O lançamento do programa foi pressionado pelos primeiros anúncios do presidente americano Donald Trump, sobre protecionismo e investimentos gigantescos em inteligência artificial (IA).
No setor digital e de IA, Estados Unidos e China dispararam em relação ao resto do mundo, enquanto o bloco europeu parece atolado e com o freio de mão puxado.
"Precisamos reiniciar o motor de inovação europeu", disse a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ao apresentar a estratégia que busca conciliar o fortalecimento da competitividade e as ambiciosas metas ambientais do bloco.
"Quero ser muito clara: a União Europeia está mantendo o curso para as metas do Pacto Verde, sem dúvida alguma", disse Von der Leyen, observando que as metas ambientais da UE "estão gravadas em pedra", mas que o bloco precisa ser "flexível e pragmático".
As recomendações para uma revisão geral do funcionamento econômico do bloco surgiram no ano passado em dois relatórios detalhados dos italianos Enrico Letta e Mario Draghi.
As empresas europeias criticam que as leis aprovadas nos últimos anos e as metas climáticas do bloco definem um cenário marcado por uma regulamentação excessiva e altos custos de energia, além dos baixos investimentos.
Portanto, Von der Leyen enfatizou que esse novo plano não significa o abandono das metas ambientais do bloco.
O comissário europeu para Estratégia Industrial, Stéphane Séjourné, prometeu "um choque de simplificação" em termos de burocracia, que, no entanto, "não afetará as metas ambientais".
Para a ONG ambiental Friends of the Earth, "sob o pretexto de 'simplificação', esta iniciativa desmantelará proteções essenciais para os cidadãos europeus, o meio ambiente e o clima".
Enquanto isso, o dirigente da organização patronal BusinessEurope, Markus Beyrer, disse que o plano é "um sinal claro de que a UE está comprometida em reforçar sua economia".
Uma das iniciativas é a criação de uma nova categoria para empresas de médio porte, que poderia beneficiar cerca de 30.000 companhias, com uma carga regulatória específica.
Também está previsto um regime jurídico em toda a Europa para permitir que as empresas inovadoras se beneficiem de "regras harmonizadas" sobre falência, direito trabalhista e questões tributárias.
A eclosão da guerra entre Rússia e Ucrânia privou a UE do fornecimento barato de gás russo, e as empresas agora precisam se adaptar aos altos custos de energia, que afetam gravemente sua competitividade.
Devido a isso, a UE tem como meta reduzir a dependência de combustíveis fósseis.
- Energia, economia e investimentos -
Em discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos, há uma semana, Von der Leyen afirmou que o bloco deve "continuar diversificando o fornecimento de energia" e expandindo "as fontes limpas de geração", incluindo a energia nuclear.
A proposta lançada nesta quarta-feira também sugere "ajudas específicas e simplificadas" para incentivar a descarbonização industrial.
Para reduzir sua dependência da China e de outros países em relação a terras raras e matérias-primas, Séjourné propôs que mais material seja extraído na Europa.
O alto funcionário disse que já recebeu 170 projetos de mineração, que muitas vezes enfrentam oposição local devido ao seu impacto ambiental, e prometeu facilitar a alocação de licenças.
A "bússola" da UE também propõe a criação de uma plataforma para a aquisição conjunta de matérias-primas essenciais e o desenvolvimento de parcerias internacionais para fortalecer as linhas de fornecimento de tecnologias verdes.
O bloco concluiu que seu mercado único continua fragmentado em setores como telecomunicações, energia e defesa, nos quais diferentes regras nacionais prejudicam a competitividade.
A unificação dos mercados de capitais europeus, que há muito tempo está paralisada por interesses nacionais conflitantes, também está no topo da agenda.
Embora a maior parte da UE se beneficie de uma moeda única, suas empresas emergentes ainda não conseguem se equiparar às gigantescas campanhas de arrecadação de fundos obtidas por seus concorrentes americanos.
H.Thompson--AT