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Mistral, a joia francesa da IA generativa que quer desafiar os gigantes americanos
Fundada há menos de dois anos, a start-up francesa Mistral AI, especializada em inteligência artificial generativa, teve uma ascensão meteórica e se tornou a principal esperança da Europa contra os gigantes americanos.
A empresa fechou uma rodada de financiamento de 600 milhões de euros (cerca de 660 milhões de dólares ou 3,9 bilhões de reais) em 2024, a maior arrecadação de fundos da French Tech do ano, de acordo com a KPMG, elevando sua avaliação para quase 6 bilhões de euros (37,3 bilhões de reais).
Foi fundada em abril de 2023 por Arthur Mensch, formado em renomadas universidades francesas e ex-colaborador do laboratório de IA DeepMind do Google, juntamente com dois compatriotas que são ex-pesquisadores da Meta, Guillaume Lample e Timothée Lacroix.
A jovem empresa arrecadou mais de 1 bilhão de euros (cerca de 6,2 bilhões de reais) em menos de um ano.
"Nos próximos dez anos, a nossa ambição é ser um dos atores que moldarão a tecnologia e a maneira como a usamos", disse Arthur Mensch à AFP na sede da startup em Paris, onde não há nenhum logotipo.
A Mistral oferece, entre outras coisas, um robô conversacional de IA chamado Le Chat, semelhante ao famoso ChatGPT da OpenAI, que agora poderá acessar o conteúdo de texto da AFP em seis idiomas para formular respostas relacionadas a eventos e informações da atualidade, anunciaram ambas as empresas nesta quinta-feira (16).
Também fornece um grande modelo de linguagem (Mistral Large) especializado em geração de texto e modelos especializados capazes de processar imagens ou gerar código.
- 'Estrela' –
"É uma estrela" que surgiu em um momento em que os investidores queriam ver uma "OpenAI à francesa", diz Claude de Loupy, especialista em inteligência artificial aplicada a idiomas. Seu ponto forte foi apresentar modelos de "excelente qualidade" desde o início, acrescenta.
A empresa optou por modelos de código aberto (acesso livre ao código de programação), em contraste com muitos de seus concorrentes americanos, como OpenAI e Anthropic, acusados de serem caixas-pretas.
Isso "permite que nossos clientes implantem as soluções em sua infraestrutura, com uma governança de dados muito melhorada em comparação com nossos concorrentes americanos", explica Arthur Mensch.
A jovem empresa também se destacou com seus modelos menores, que são instalados em computadores ou smartphones e consomem menos energia, portanto são mais baratos que seus concorrentes.
Além disso, assinou vários acordos de distribuição com Google, Microsoft, Amazon e IBM para tornar seus produtos facilmente acessíveis.
A Mistral emprega cerca de 100 pessoas em suas instalações recém-reformadas em Paris, mas tem planos de expansão. A startup, que ainda não deu lucro, se concentra em seu desenvolvimento na França e no exterior. Possui um escritório no Reino Unido e recentemente abriu sedes nos Estados Unidos (em Palo Alto, Califórnia) e em Singapura.
"A inteligência artificial generativa é uma revolução que afetará o mundo inteiro e todas as regiões do mundo estão cientes, em velocidades diferentes, de que precisam embarcar e fazer isso com um certo grau de independência dos atores americanos", diz Mensch.
- Necessidades de capital –
Desenvolver esses modelos de inteligência artificial exige um capital significativo. Em termos de capacidade de financiamento, a Mistral "enfrenta gigantes como Google, Meta, Microsoft, Amazon" e é difícil "competir em igualdade de condições", segundo Claude de Loupy.
A empresa de inteligência artificial de Elon Musk, xAI, fechou recentemente uma nova rodada de financiamento de 6 bilhões de dólares (36,2 bilhões de reais), enquanto a OpenAI, apoiada pela Microsoft, arrecadou 6,6 bilhões de dólares (39,8 bilhões de reais).
A Mistral, descrita como um "gênio francês" pelo presidente Emmanuel Macron, conta com forte apoio político. Mas será que conseguirá continuar na corrida global da IA no longo prazo? E a que preço?
Diante da magnitude das necessidades financeiras desta nova atividade tecnológica, a outra joia europeia da IA generativa, a startup alemã Aleph Alpha, teve que desistir em setembro e interromper o desenvolvimento de grandes modelos de linguagem para se concentrar em atividades de consultoria para empresas.
"As necessidades de capital não vão diminuir", admite Arthur Mensch, mas "hoje temos uma demanda contínua".
"O mercado [europeu] precisa se unir e assumir a responsabilidade pelo fato de que a tecnologia europeia precisa de apoio", diz ele. "É útil a longo prazo, assim como a curto prazo, trabalhar com atores locais", argumenta.
A.Moore--AT