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Líderes mundiais se unem na ONU contra extremismos e desinformação
Cerca de vinte líderes mundiais, convocados por Brasil e Espanha, se uniram, nesta terça-feira (24), na ONU para lutar contra os extremismos e a desinformação nas redes sociais, que ameaçam as democracias como são conhecidas.
Imigração, mulheres, diversidade, mudança climática, aborto, povos indígenas ou a confiabilidade das eleições são alvos dessa "internacional extremista", como a definiu o primeiro-ministro de Timor Leste, Xanana Gusmão, um dos líderes e chanceleres que participaram do "Fórum para a Defesa da Democracia: Combatendo os Extremismos".
A iniciativa foi convocada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, e contou com a presença de representantes de cerca de vinte países que estão em Nova York para participar da Assembleia Geral da ONU nesta semana.
Entre eles, estavam o presidente da França, Emmanuel Macron; do Chile, Gabriel Boric; de Cabo Verde, José Maria Neves; o chefe do Conselho Europeu, Charles Michel; o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau; e os chanceleres de México e Colômbia, além de representantes da Noruega, Quênia, Estados Unidos, Senegal e da ONU.
Lula, cujo Brasil bloqueou a rede social X, do magnata Elon Musk, por não cumprir exigências de eliminar contas que disseminam desinformação, defendeu a "regulação das redes sociais" que "monetizam os discursos de ódio".
O presidente francês Macron pediu o desenvolvimento de "novos anticorpos" para combater os extremistas e apelou por uma "ordem pública digital democrática" diante das manipulações e "falsas informações" na internet.
"A onda reacionária tenta romper nossas sociedades e os consensos que tanto nos custaram para construir", disse Sánchez, que concluiu afirmando ser "evidente" que os países participantes compartilham "os mesmos males e os mesmos riscos".
O governo espanhol lançou recentemente um plano de "regeneração democrática", cujo alcance ainda é incerto, para combater o que chama de "máquina de lama" da desinformação e das notícias falsas, que depende em grande parte da transposição de normas europeias e gerou duras críticas da oposição.
- A IA "mudará tudo" -
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) publicou em novembro um plano de ação com os princípios que devem ser respeitados e as medidas concretas que todas as partes interessadas – governos, autoridades reguladoras, sociedade civil e as próprias plataformas – devem adotar para lidar com a desinformação.
De acordo com uma pesquisa que acompanhou esse relatório, realizada pela Ipsos em 16 países que realizarão eleições em 2024, 85% dos cidadãos estavam preocupados com o impacto da desinformação on-line, em um momento em que as redes sociais se tornaram a principal fonte de informação para a maioria deles.
O desenvolvimento da inteligência artificial (IA) ameaça agravar ainda mais o problema, alertou nesta terça-feira o secretário-geral da ONU, António Guterres, na tribuna da Assembleia Geral.
"A IA mudará praticamente tudo o que conhecemos, desde o trabalho, a educação e a comunicação até a cultura e a política". "Sem uma abordagem global para gerenciá-la, a inteligência artificial pode levar a divisões artificiais – uma Grande Fratura com duas internets, dois mercados, duas economias, forçando os países a escolherem um dos lados, com enormes consequências para todos", alertou.
Das intervenções neste primeiro fórum para lidar com a praga da desinformação, conclui-se que o diagnóstico está feito. Agora, trata-se de "fazer algo para reverter essa situação", advertiu Sánchez, sugerindo que na próxima reunião sejam convidados também think tanks que há algum tempo trabalham em "como contra-atacar" os discursos extremistas para "vencer essa batalha".
O presidente chileno propôs Santiago como sede do próximo encontro.
"Esta é nossa primeira reunião e não esperava tanto", disse Lula ao final, aceitando o convite de Boric para celebrar o próximo encontro na capital chilena.
A.O.Scott--AT