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Câmara dos Representantes aprova orçamento para Defesa nos EUA
Os congressistas americanos deram o primeiro passo, nesta sexta-feira (14), para aprovar o orçamento anual do Pentágono, em uma votação na Câmara dos Representantes, após os republicanos acrescentarem ao texto medidas, sobretudo sobre o aborto, muito criticadas pelos democratas.
O texto aprova os US$ 886 bilhões (em torno de R$ 4,2 trilhões) solicitados pelo presidente americano, Joe Biden, e prevê um aumento salarial de 5,2% para os militares, além de um auxílio de US$ 300 milhões (aproximadamente R$ 1,4 bilhões) para a Ucrânia e outros nove navios para a Marinha dos Estados Unidos.
Praticamente todos os democratas da Câmara dos Representantes se opuseram ao texto - que geralmente é consensual - após conservadores acrescentarem disposições que, entre outros aspectos, revertem programas de diversidade no setor de Defesa, como um possível auxílios à transição de gênero de militares transsexuais, além de proibir que a bandeira de orgulho LGBTQIA+ fosse hasteada nas sedes do Pentágono.
As medidas são resultado de pressões da ala direita sobre o líder republicano na Câmara dos Representantes, Kevin McCarthy, mas possivelmente serão retiradas durante as negociações do texto no Senado, que acontecerão na próxima semana.
"O que já foi um exemplo de compromisso e funcionamento do Governo se transformou em uma onda de intolerância e ignorância", expressou em comunicado um grupo de democratas liderado por Adam Smith, o principal congressista do partido no Comitê das Forças Armadas.
Já o ex-médico da Casa Branca Ronny Jackson, republicano de uma ala mais conservadora, introduziu uma medida que proíbe o Pentágono de cobrir despesas de viagem para militares do sexo feminino que precisam viajar para outro estado para fazerem abortos.
A medida é "absolutamente vergonhosa", pois "tira a liberdade reprodutiva" de militares "dispostas a arriscar suas vidas" para servir à nação, disse o democrata Lois Frankel.
No ano passado, a Suprema Corte derrubou a garantia constitucional do direito ao aborto, deixando cada estado legislar sobre o assunto.
A interrupção voluntária da gravidez se tornou um ponto de discórdia no cenário político americano. Há vários meses, o senador da extrema-direita Tommy Tuberville tem usado seu poder de veto para impedir a aprovação de mais de 250 nomeações militares de alto escalão até que a questão dos subsídios para deslocamento seja removida.
M.Robinson--AT