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Biden promulgará no sábado lei que evita default 'catastrófico' nos EUA
Em um pronunciamento incomum no Salão Oval, o presidente Joe Biden disse, nesta sexta-feira (2), que assinará no sábado (3) o projeto de lei que autoriza o aumento do limite da dívida dos Estados Unidos, eliminando assim a ameaça "catastrófica" de um default da maior economia do mundo.
Em horário nobre na televisão e atrás de sua mesa histórica, Biden garantiu, ao vivo e em rede nacional, que o acordo bipartidário foi um compromisso no qual "ninguém conseguiu o que queria".
"Encontrar um consenso além das diferenças partidárias é difícil. A unidade é difícil, mas nunca devemos deixar de tentar", afirmou o democrata de 80 anos em seu breve pronunciamento.
Sem um acordo, os Estados Unidos corriam o risco de entrar em default, deixando de pagar suas obrigações a partir de segunda-feira, 5 de junho, a data-limite estabelecida pelo Tesouro.
Isso provavelmente desencadearia pânico nos mercados, enormes perdas de emprego e uma recessão, com implicações mundiais.
"Nada teria sido mais irresponsável e catastrófico", disse o presidente.
Nos Estados Unidos, os presidentes sempre reservaram os discursos no Salão Oval para momentos de grave perigo ou de importância nacional.
Contudo, mesmo que a Câmara dos Representantes e o Senado tivessem deixado de lado suas diferenças e chegado a um acordo de última hora, a reputação da economia de Estados Unidos acabou arranhada.
A agência de classificação de risco Fitch mantém a perspectiva negativa para a nota de crédito "AAA" dos Estados Unidos. Essa classificação só deve ser revista no terceiro trimestre de 2023.
A agência assinalou em comunicado que avalia "todas as implicações do mais recente episódio de políticas arriscadas e as perspectivas a médio prazo para as trajetórias fiscais e de dívida".
- Negociações árduas -
Esta semana, o Congresso dos Estados Unidos aprovou o projeto de lei que suspende o teto da dívida federal do país até janeiro de 2025, o suficiente para passar pela disputa presidencial de 2024 sem que haja uma nova queda de braço.
Além disso, estabelece certos limites para os gastos federais e prevê um corte de 10 bilhões de dólares (R$ 49,5 bilhões) nos recursos destinados ao fisco para modernização e intensificação de controles.
Biden, que tentará a reeleição em 2024, vê a dramática resolução desta crise política como uma vitória, ao demonstrar sua capacidade de negociação.
O presidente aproveitou a ocasião para projetar um tom de confiança e calma. Em um discurso temperado com risadas e sorrisos, Biden louvou seus adversários por negociarem de boa-fé e confessou aos americanos que jamais havia se sentido tão otimista.
O Congresso, prosseguiu o mandatário, agora preserva "a fé completa e o crédito dos Estados Unidos".
A decisão é o resultado de semanas de negociações árduas entre Biden e o presidente da Câmara dos Representantes, o republicano Kevin McCarthy. Os democratas acusavam seus adversários de fazer a economia americana de "refém" ao insistir nos cortes de gastos para acompanhar o aumento do teto da dívida.
Em seu discurso, Biden elogiou McCarthy, um político leal por muito tempo ao ex-presidente Donald Trump, a quem Biden derrotou em 2020 e que deseja retornar à Presidência em 2024.
"Quero elogiar o 'Speaker' [presidente da Câmara] McCarthy. Vocês sabem, ele e eu, nós e nossas equipes, conseguimos nos dar bem, fazer as coisas", disse Biden, ao mesmo tempo em que classificou os negociadores republicanos de "completamente honestos e respeitosos uns com outros".
D.Lopez--AT