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Corpos de 27 operários que morreram em incêndio em mina no Peru são recuperados
Brigadas policiais recuperaram os corpos dos 27 trabalhadores que morreram asfixiados no fim de semana durante um incêndio em uma mina de ouro no sul do Peru.
Os trabalhos de resgate duraram até a madrugada desta segunda-feira (8) no túnel La Esperanza 1, na cidade de Yanaquihua, no departamento de Arequipa.
"Foi possível resgatar os 27 corpos dos trabalhadores", confirmou o prefeito de Yanaquihua, James Casquino, à rádio RPP. Os restos mortais tiveram de ser transportados em caixões para a cidade de Arequipa, onde serão entregues aos familiares no decorrer do dia.
"Como posso perder meu irmão assim? O que será de mim? A empresa deve ser responsabilizada", disse aos prantos Justina Jiménez, irmã de um operário, em declaração à AFP do lado de fora do necrotério.
- Mortos por asfixia -
Segundo confirmou a polícia, os mineradores morreram asfixiados após o incêndio provocado por um curto-circuito que, ao que parece, foi seguido de uma explosão.
"Todos morreram por asfixia, não há corpos com sinais de queimaduras", disse aos jornalistas o coronel de polícia Fernando Portugal, que conduziu a operação em La Esperanza 1.
O Ministério Público peruano publicou uma fotografia na qual é possível ver, dentro do túnel, um dos operários pendurado de cabeça para baixo perto de outro corpo que ficou aos pés de uma escada.
O incêndio começou no sábado (6), mas apenas ontem a polícia conseguiu apurar o número de vítimas da pior tragédia de mineração em décadas no Peru. O país é o maior produtor de ouro da América Latina.
- Investigações ainda no início -
De acordo com a perícia inicial, as chamas avançaram rapidamente por entre os pilares de madeira da galeria subterrânea. Um grupo de 175 trabalhadores conseguiu sair ileso, mas os demais ficaram presos em meio à fumaça.
As autoridades, que relataram inicialmente que os trabalhadores tinham sofrido queimaduras, ainda estão determinando as circunstâncias que provocaram o incêndio.
"Meu pai trabalhou durante toda a sua vida em minas legalizadas, nunca sofreu acidentes graves, mas, desta vez, confessou para minha mãe que as condições de trabalho não eram adequadas", disse a filha de Marcelino Calcina, uma das vítimas, que não quis se identificar para os jornalistas.
A mina afetada pelas chamas é operada legalmente pela "Minera Yanaquihua", uma empresa de médio porte que extrai cerca de 15.000 onças de ouro por ano, segundo o seu site.
"Esperamos uma resposta contundente do Ministério Público para saber o que aconteceu, e quais são os antecedentes desta empresa mineradora", assinalou o prefeito de Yanaquihua.
A mineração é um dos motores da economia peruana, com participação de 8,3% no Produto Interno Bruto (PIB). O Peru é o segundo maior produtor mundial de prata, cobre e zinco, e o maior produtor de ouro, zinco, estanho, chumbo e molibdênio da América Latina, segundo dados oficiais.
No ano passado, 39 pessoas morreram em incidentes associados à mineração, de acordo com o Ministério de Minas e Energia do Peru.
E.Hall--AT