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Almodóvar e seu 'Natal Amargo' entram em cena em Cannes
O espanhol Pedro Almodóvar apresenta "Natal Amargo" nesta terça-feira (19) no Festival de Cannes, oa sétima vez em que o cineasta disputa a Palma de Ouro, desta vez com uma história sobre um cineasta preso em uma crise criativa.
O novo filme do diretor, que já estreou na Espanha, conta a história de Raúl Durán, um famoso cineasta que ficou sem ideias. Suas preocupações terminam quando começa a escrever uma obra inspirada nas inconstâncias de uma pessoa muito próxima.
O autor de "Tudo sobre Minha Mãe" e "Volver" é presença assídua no festival, onde já competiu em seis ocasiões. E embora tenha sido laureado algumas vezes por sua direção ou roteiro, nunca levou o prêmio principal.
Nesta edição, compete com outros nomes habituais do festival, como o japonês Hirokazu Kore-eda e o romeno Cristian Mungiu, ambos com uma Palma de Ouro no currículo.
O espanhol, conhecido pelos seus filmes de imagem cuidada e cheios de cor, é um defensor da força dos seus intérpretes na história.
"Entre todas as opções narrativas que te são oferecidas em um filme através da imagem, eu escolho sempre o ator", afirmou em abril o diretor que já trabalhou com Carmen Maura, Penélope Cruz, Antonio Banderas, Victoria Abril, Javier Bardem e mais recentemente com Tilda Swinton e Julianne Moore.
"O ator é quem leva a mensagem. São os olhos dos atores que são vistos, o rosto dos atores, os corpos dos atores", disse.
Em "Natal Amargo", o argentino Leonardo Sbaraglia encarna o alter ego de Almodóvar. "Sinto-o sempre como se fosse um Dalí, um Picasso que está tecendo, pintando, construindo cores, construindo mundos", disse Sbaraglia sobre Almodóvar em entrevista à AFP.
Completam o elenco Bárbara Lennie, Victoria Luengo e Aitana Sánchez-Gijón.
- Superprodução da Coreia do Sul -
Mais da metade dos 22 filmes que disputam a Palma de Ouro já foi exibida em Cannes. Embora vários tenham recebido elogios da crítica, nenhum conseguiu ainda despertar um entusiasmo unânime.
Entre os mais bem recebidos está "Fatherland", do diretor polonês Paweł Pawlikowski, centrado no retorno do escritor Thomas Mann à Alemanha em 1949, em um país marcado pela desnazificação e dividido entre dois blocos ideológicos.
Também se destacou o espanhol "El Ser Querido", de Rodrigo Sorogoyen e estrelado por Javier Bardem, que brilhou em seu papel de cineasta atormentado que busca se reconectar com a filha atriz propondo a ela um papel em seu novo filme.
Segundo a influente revista Variety, "o filme em alguns momentos remete à relação central de 'Valor Sentimental', embora aqui a produção ocupe um lugar muito mais lúdico e protagonista".
Mas a obra que sem dúvida sacudiu o festival foi a superprodução sul-coreana "Hope", exibida no domingo.
Considerado o filme mais caro da história da Coreia do Sul, o longa apresenta, ao longo de 2 horas e 40 minutos, uma perseguição vertiginosa entre humanos e criaturas misteriosas, encadeando cenas de ação espetaculares.
A competição ainda guarda vários dos títulos mais aguardados desta edição, entre eles o terceiro filme espanhol em disputa.
Trata-se de "La Bola Negra", da dupla formada pelos espanhóis Javier Ambrossi e Javier Calvo, com Penélope Cruz em um papel "breve, mas inesquecível", nas palavras do delegado-geral da mostra, Thierry Frémaux.
H.Gonzales--AT