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Eurovision completa 70 anos sob forte esquema de segurança por boicote a Israel
Ao som de canções pensadas para apresentações ousadas, a 70ª edição do Festival Eurovision, que começou no domingo (10) em Viena, acontece sob medidas de segurança, em um contexto marcado pelo boicote à participação de Israel.
Espanha, Islândia, Irlanda, Países Baixos e Eslovênia não estão presentes este ano no festival europeu da canção em protesto contra Israel. Mais de mil artistas também pediram boicote.
O festival não será transmitido na Espanha, Irlanda e Eslovênia, informaram suas emissoras públicas, que programaram conteúdos alternativos.
Também estão previstas manifestações contra a guerra em Gaza, onde Israel lançou uma ofensiva militar em represália ao ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023.
Ernst Wolrab, de 67 anos, um dos manifestantes reunidos em Viena, disse não concordar que esta "plataforma internacional" seja oferecida ao governo israelense para "legitimar" suas ações.
- "Desafio complexo" -
Organizar o Eurovision é um "desafio complexo", afirmou o vice-chefe da polícia de Viena, Dieter Csefan. As forças de segurança se preparam para proteger delegações e monitorar eventos na cidade.
A Áustria, país de 9,2 milhões de habitantes, sediou o concurso há 11 anos, mas a situação global mudou desde então, disse Csefan, que citou o risco de ciberataques. Segundo ele, o país trabalha com o FBI contra possíveis ameaças virtuais.
As autoridades revisaram os perfis dos 15.000 funcionários envolvidos. As 3.500 toneladas de equipamentos transportadas para a arena Stadthalle foram submetidas a controles minuciosos.
- Menor número -
O maior evento musical televisionado ao vivo do mundo reunirá participantes de 35 países, o menor número desde a ampliação do concurso em 2004, após a saída de vários Estados por causa da guerra de Israel em Gaza.
As semifinais de terça-feira e quinta-feira farão a seleção antes da final de sábado. Cerca de 95.000 ingressos foram vendidos a fãs de 75 países, segundo a União Europeia de Radiodifusão (UER).
As casas de apostas apontam Finlândia, Grécia, Dinamarca, Austrália e França como favoritos.
A representante da Romênia, Alexandra Căpitănescu, acrescentou polêmica com "Choke Me", criticada por supostamente promover o estrangulamento durante o sexo. A cantora, de 22 anos, afirmou que a música trata de recuperar o controle sobre a ansiedade e as emoções.
Embora o inglês vá predominar em Viena, os artistas cantarão em vários idiomas. As regras aprovadas em 2024 transferem aos artistas a responsabilidade de não politizar o concurso, afirma à AFP o historiador Dean Vuletic.
J.Gomez--AT