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Escritor português António Lobo Antunes morre aos 83 anos
O romancista português António Lobo Antunes, um dos escritores lusófonos mais lidos e traduzidos do mundo, e diversas vezes apontado como um possível vencedor do Prêmio Nobel da Literatura, faleceu aos 83 anos, anunciou nesta quinta-feira (5) a sua editora, o Grupo Leya.
"A morte está confirmada. Divulgaremos uma nota de condolências", afirmou à AFP uma porta-voz da Leya, editora que publicou o seu último romance em 2022.
Lobo Antunes, cronista da sociedade portuguesa contemporânea, é o autor de uma obra exigente, que mistura romance, poesia e autobiografia em um estilo barroco e metafórico.
Casado duas vezes e pai de três filhas, ele superou o câncer em três momentos, enquanto continuava escrevendo, em média, quase um romance por ano, mas havia parado de publicar novas obras recentemente.
Segundo um jornalista a quem concedeu uma série de entrevistas, o autor sofreria de uma forma de demência, informação que nunca foi confirmada por seu entorno.
Nascido em 1942 em uma família da alta burguesia de Lisboa, Lobo Antunes descobriu, no início da década de 1970, os horrores da guerra colonial em Angola, para onde foi enviado como médico militar.
Ao retornar a Portugal, trabalhou como psiquiatra em um hospital de Lisboa e conheceu o sucesso com seu segundo romance, "Os cus de Judas" (1979), monólogo de um homem que voltou da guerra.
A partir de 1985, ele passou a se dedicar exclusivamente à literatura.
O universo das suas personagens revela com ironia os conflitos internos de uma sociedade portuguesa marcada por meio século de ditadura e a desilusão que se seguiu à chegada da democracia em 1974, em particular em "Manual dos Inquisidores" (1996).
Autor de quase 30 romances e de várias coletâneas de artigos de imprensa, Lobo Antunes recebeu em 2007 o Prêmio Camões, a mais importante distinção literária da língua portuguesa.
Y.Baker--AT