-
Cruzeiro vence Corinthians nos pênaltis e conquista Libertadores feminina
-
Milan vence dérbi contra Inter (3-1) e coloca Lazio na liderança
-
Barça goleia Alavés (6-1) e se mantém na liderança, Atlético vence Levante
-
Lewis Hamilton conquista pole position do GP do México de Fórmula 1
-
EUA alerta sobre segurança alimentar em reunião do G20 sem maiores consensos
-
Pulisic renova com Milan até 2031
-
Polônia busca saída para crise institucional
-
Borussia Dortmund arranca empate no fim contra Bayern (2-2) no clássico da Bundesliga
-
Norris supera Antonelli por um milésimo nos últimos treinos livres do GP do México
-
De Minaur vence Zverev e vai enfrentar Alcaraz na final do ATP 500 de Viena
-
Líder iraniano se mostra desafiador diante de EUA e Israel
-
Freiburg, Leipzig e Werder Bremen vencem na Bundesliga
-
Atlético de Madrid vence Levante (2-0) e é líder provisório do Espanhol
-
Marco Rubio afirma que EUA não teve envolvimento na fuga de Flávio Bolsonaro do Brasil
-
França tem manifestações multitudinárias com alguns tumultos
-
Manchester City perde para o Brighton (1-0); United afunda diante do Chelsea
-
Alcaraz vence Medvedev e vai à final do ATP 500 de Viena
-
Deslocados da cidade ocupada de Oleshki chegam à Ucrânia
-
França em alerta diante do risco de violência em novas manifestações
-
Alemanha mobiliza a polícia antes de um grande dia de protestos juvenis
-
Presidente da Polônia convoca consultas de emergência devido a crise institucional
-
França mobiliza amplo esquema de segurança diante de novo dia de protestos
'Abdelinho', a história surreal de um marroquino que sonha com o Brasil
"Abdelinho" é um jovem marroquino preso entre uma mãe tirana e um trabalho burocrático. Ele sonha com um Brasil sensual e imaginário, vislumbrado através da única janela para o gigante sul-americano: suas telenovelas.
Dirigido por Hicham Ayouch, o filme atingiu certo sucesso em Marrocos, onde estreou em 2021, e será lançado na próxima semana na França.
Tudo no filme tem um ar surreal e delirante, a começar pela relação direta que Abdelinho (Aderrahim Tamimi), estabelece com a bela Maria (Inês Monteiro), uma heroína de uma novela que Abdelinho acompanha fielmente em seu refúgio no ático de sua casa, longe do olhar de desaprovação de sua mãe.
"Já estive duas ou três vezes no Brasil. Não é um país que represente algo muito forte no meu imaginário. O que mais me interessa é o que ele representa no inconsciente coletivo do povo", explicou o diretor marroquino de 47 anos, Hicham Ayouch, em entrevista via Zoom à AFP.
"Quando se nasce no Marrocos, em termos de liberdade corporal e liberdade sexual, este é um país muito esquizofrênico, às vezes temos a impressão de estar em Ibiza e no minuto seguinte em Cabul", explica o cineasta.
"O Brasil é uma espécie de fuga metafórica" dessa realidade, explica.
A chegada de um religioso islâmico que faz pregações em programas de televisão, Amr Taleb (Ali Suliman), representa uma ameaça para Abdelinho, que organizou aulas de samba para as mulheres de sua cidade.
"A inspiração veio de um personagem do Egito, um pregador que é totalmente um astro [da televisão]. Só que ele não tem todo o lado showman do Amr Taleb", explica o diretor de "Abdelinho".
Na obra, o religioso usa um conhecido hit gospel, "Happy Day", estilos islâmicos - uma mistura até então desconhecida no mundo muçulmano, mas popular em países como o Brasil, onde a influência evangélica de origem americana é muito forte.
"É toda a contradição desse personagem que não para de criticar o ocidente em seus discursos e ao mesmo tempo tem muitas referências ocidentais em seu guarda-roupa, em seu show, em seu lado showman", diz Ayoub.
"Para mim é um filme na linha de Gabriel García Márquez ou Mario Vargas Llosa, tem um pouco desse aspecto de realismo mágico", acrescenta.
- Mudança de estratégia islâmica -
"Abdelinho" é o quarto filme de ficção de Hicham Ayouch, filho de mãe judia de origem tunisiana e pai muçulmano marroquino.
Seu irmão mais velho, Nabil Ayouch, é outro conhecido cineasta marroquino que em 2015 filmou um polêmico longa-metragem sobre a prostituição juvenil no Marrocos, "Muito Amadas", que foi proibido pelas autoridades.
Fazer um filme no Marrocos sobre o islamismo e a sociedade não é difícil, já que os islamitas mudaram a sua estratégia, garantiu o diretor.
"Antes, quando era lançado um filme com alguma polêmica, os islamitas faziam campanha nas mídias, na internet, e isso representava uma publicidade gratuita para o filme. Agora eles ficaram mais cuidadosos. Não fazem mais escândalos, limitam-se a pedir para seus apoiadores não irem ver o filme", explica.
Hicham Ayouch levou oito anos para voltar para trás das câmeras desde seu filme anterior, "Febre" (2013), um filme muito mais sombrio sobre um jovem à deriva nas cidades satélites de Paris, palco de frequentes revoltas.
Ch.P.Lewis--AT