-
Milan vence dérbi contra Inter (3-1) e coloca Lazio na liderança
-
Barça goleia Alavés (6-1) e se mantém na liderança, Atlético vence Levante
-
Lewis Hamilton conquista pole position do GP do México de Fórmula 1
-
EUA alerta sobre segurança alimentar em reunião do G20 sem maiores consensos
-
Pulisic renova com Milan até 2031
-
Polônia busca saída para crise institucional
-
Borussia Dortmund arranca empate no fim contra Bayern (2-2) no clássico da Bundesliga
-
Norris supera Antonelli por um milésimo nos últimos treinos livres do GP do México
-
De Minaur vence Zverev e vai enfrentar Alcaraz na final do ATP 500 de Viena
-
Líder iraniano se mostra desafiador diante de EUA e Israel
-
Freiburg, Leipzig e Werder Bremen vencem na Bundesliga
-
Atlético de Madrid vence Levante (2-0) e é líder provisório do Espanhol
-
Marco Rubio afirma que EUA não teve envolvimento na fuga de Flávio Bolsonaro do Brasil
-
França tem manifestações multitudinárias com alguns tumultos
-
Manchester City perde para o Brighton (1-0); United afunda diante do Chelsea
-
Alcaraz vence Medvedev e vai à final do ATP 500 de Viena
-
Deslocados da cidade ocupada de Oleshki chegam à Ucrânia
-
França em alerta diante do risco de violência em novas manifestações
-
Alemanha mobiliza a polícia antes de um grande dia de protestos juvenis
-
Presidente da Polônia convoca consultas de emergência devido a crise institucional
-
França mobiliza amplo esquema de segurança diante de novo dia de protestos
-
Flávio Bolsonaro diz que saiu do Brasil por ser vítima de 'perseguição'
-
Gigantes da IA prometem solução para evitar uso de conteúdo de mídia para treinar modelos
-
Flávio Bolsonaro diz que saiu do Brasil porque é vítima de "perseguição"
-
Rússia se mostra inflexível em G20 dividido pelos conflitos geopolíticos
-
COP17 chega a acordo sobre textos-chave para proteger a natureza
-
Juíza dos EUA questiona principal argumento para construir arco de Trump
Escalante apresenta em Cannes um coquetel de violência, redes sociais e fama no México
Filmar a violência de um ângulo "mais cru". É o que busca o cineasta mexicano Amat Escalante com seus filmes como "Perdidos en la noche", no qual mistura pessoas famosas, redes sociais e a indústria da mineração para contar o drama dos desaparecidos.
No filme, apresentado em Cannes fora da competição, Emiliano, um jovem com trabalhos precários, procura desesperadamente sua mãe, uma professora contrária a uma exploração mineira desaparecida alguns anos antes.
O protagonista está disposto a tudo para encontrar seu paradeiro, inclusive trabalhar na casa de uma família de artistas famosos que, segundo ele, estão envolvidos no crime.
Com imagens muito cuidadosas, trabalhadas, mas que mostram diretamente a violência, Escalante desenvolve a história entre essa família rica e Emiliano, em forma de thriller.
"Há uma forma que é mais comum de filmar violência no cinema e creio que o que tento é me aproximar desse outro ângulo mais cru, um ângulo a partir do qual não estamos tão acostumados a ver o ato de violência quando acontece", disse o cineasta em entrevista nesta sexta-feira (19) à AFP.
Diferentemente de Hollywood, onde é tratada mais como uma emoção, acrescenta, "para mim, a violência é muito mais o oposto de estar exaltado. É muito triste e me interessa mostrá-la dessa maneira mais honesta".
Escalante volta a Cannes uma década depois de concorrer à Palma de Ouro com "Heli", que conta a história de uma adolescente que se apaixona por um jovem policial envolvido em um caso de desvio de dinheiro. Com o filme, ele conquistou o prêmio de melhor direção.
- "Ilusão de ótica" -
O cineasta começou a pensar em "Perdidos en la noche" a partir do caso de Ayotzinapa, em 2014, quando 43 estudantes desapareceram. O tempo passou e ele fez outro filme neste período, mas a ideia perdurou.
O filme foi rodado no estado de Guanajato (centro), um dos mais violentos do país, e onde mora o próprio Escalante.
Em "Perdidos en la noche", a família rica que acolhe Emiliano transita pelos círculos artísticos: ela é uma cantora famosa e ele um polêmico artista que já trabalhou com cadáveres.
Ele se interessou em retratar esta família para mostrar pessoas que jamais seriam relacionadas a esta violência.
Porém, em sua opinião, todo o mundo está envolvido, ainda que "seja fácil pensar que estamos alheios a isso". "Somos parte deste sistema e precisamos questionar por que não está funcionando", insiste o cineasta, de 44 anos.
Como cineasta mexicano, Escalante também se pergunta se é legítimo falar de violência e usá-la, de certa maneira, como motivo de inspiração, em um país como o seu.
"Sinto que há uma certa responsabilidade em falar sobre alguns temas (de violência), mas ao mesmo tempo, você está usando esses temas", disse o diretor, nascido em Barcelona, mas de nacionalidade mexicana. "Essa contradição me interessou, esse incômodo de usar a tragédia como instrumento narrativo, de inspiração".
As redes sociais também têm um papel importante na história. Ainda que para Escalante não sejam perigosas, mas um novo meio sobre o qual não conhecemos as consequências.
"É algo muito novo, muito potente, que talvez ainda não dimensionamos por completo", adverte. Do outro lado das telas, "há muita ilusão de ótica, uma realidade alternativa, na qual as vezes podemos nos perder".
O.Gutierrez--AT