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Em plena crise, STF inicia sessão inédita com Moraes na mira
O Supremo Tribunal Federal (STF) começou a examinar, nesta terça-feira (15), a possibilidade de investigar um de seus ministros, Alexandre de Moraes, por supostos vínculos com o banqueiro Daniel Vorcaro, preso por fraude, em meio a uma crise sem precedentes que ofuscou a campanha presidencial.
O próprio Moraes, que em 2025 presidiu o julgamento que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe de Estado, participa da sessão plenária, transmitida ao vivo pela televisão e pelo YouTube.
A crise está ligada ao escândalo do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, cujas conexões duvidosas com o poder envolveram ministros, deputados e até mesmo o candidato à Presidência e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de outubro.
Dentro do STF, o caso Master, referente ao banco de Vorcaro que foi liquidado após uma mega fraude contra seus clientes, desencadeou um conflito interno sem precedentes.
O ministro André Mendonça ordenou a liberação de um relatório policial que revelava mensagens de Vorcaro para um número atribuído a Alexandre de Moraes, nas quais pedia ajuda na investigação contra ele.
Alexandre de Moraes é considerado pela direita um inimigo do bolsonarismo e chegou a ser sancionado pelo governo do presidente americano, Donald Trump, em represália ao julgamento de Bolsonaro, seu aliado.
Moraes, por sua vez, denunciou por suposto abuso de autoridade Mendonça, nomeado por Jair Bolsonaro durante seu mandato na Presidência (2019-2022).
A investigação foi "deliberadamente direcionada" por Mendonça para "montar uma verdadeira farsa incriminatória com finalidade político-eleitoral", acusou Moraes em um pedido de anulação do processo, enviado ao presidente do tribunal, ministro Edson Fachin.
Fachin, nomeado em 2015 pela então presidente Dilma Rousseff (PT), sucessora política de Lula, convocou os ministros a examinar a validade do relatório policial e decidir se abrirá uma investigação contra Moraes.
"O País olha para esta Corte. A História também olhará para este momento", disse Fachin na abertura da sessão, ao definir este período como "difícil".
A segurança na sede do Supremo, em Brasília, foi fortemente reforçada com drones, policiais armados, cães farejadores de explosivos e até um helicóptero que sobrevoa a área.
- Corrupção preocupa -
Lula pediu transparência para que os culpados sejam responsabilizados, enquanto Flávio Bolsonaro criticou Moraes, a quem associou ao presidente.
"O atual presidente dividiu o seu poder com Alexandre de Moraes. E no fim, o Brasil ficou sem presidente nenhum", disse o senador em um vídeo divulgado na terça-feira.
Filho mais velho do ex-presidente Bolsonaro, Flávio ultrapassou Lula pela primeira na pesquisa de intenções de voto da empresa Quaest publicada na segunda-feira.
Embora a diferença entre os dois siga dentro da margem de erro, Flávio apareceu com 42% das intenções de voto frente a 40% para Lula em um eventual segundo turno.
Na última sexta-feira, no entanto, revelou-se que Flávio é investigado por suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro no financiamento do filme "Dark Horse", uma cinebiografia sobre seu pai, para o qual recebeu dinheiro do próprio Vorcaro.
A mesma pesquisa Quaest mostrou que a preocupação dos brasileiros com a corrupção subiu de 14% para 22% em apenas 12 dias.
O que vem à tona com este escândalo "é a política sendo feita pela troca de favores, pela troca de influências", disse à AFP no Rio de Janeiro a cientista ambiental e militante de esquerda Mayara Horta, de 34 anos.
"Tem que acabar com o sigilo de todo mundo. Se é pra investigar, vamos investigar tudo e ver até onde vai essa influência mesmo desses banqueiros, que a gente sempre fala que são os verdadeiros donos do Brasil", acrescentou.
W.Morales--AT