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Procurador do TPI atribui ataques de Trump a 'mal-entendido' sobre o trabalho do tribunal
Os ataques do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Tribunal Penal Internacional (TPI) decorrem de um "mal-entendido" sobre o trabalho do tribunal, disse o procurador-geral interino à AFP.
Em entrevista exclusiva, a primeira desde que assumiu o cargo, Mame Mandiaye Niang também indicou que o TPI já está preparando soluções técnicas alternativas em antecipação a possíveis novas sanções dos EUA contra a instituição.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, prometeu desmantelar o TPI "tijolo por tijolo", e classificou o tribunal, que julga os responsáveis pelos crimes mais graves do mundo, como uma "ameaça intolerável à soberania americana".
Washington impôs uma série de sanções contra funcionários do TPI, indignada com o fato de o tribunal ter emitido um mandado de prisão contra o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, um aliado próximo dos Estados Unidos, acusado de crimes de guerra.
"Ao analisar toda a comunicação de Rubio, percebe-se que alguns elementos parecem ser fruto de um mal-entendido", rebateu Niang.
"Não temos interesse em, e nem pretendemos, infringir ou violar a soberania dos Estados. Sabemos que não somos a polícia do mundo; temos plena consciência disso", declarou o procurador senegalês.
No entanto, ele rejeitou as acusações dos EUA de que o TPI é uma instituição corrupta. "É um julgamento que não aceitamos", afirmou.
Niang, de 65 anos, está entre os altos funcionários do TPI afetados pelas sanções dos EUA. Essa situação, segundo ele, torna praticamente impossível o acesso a sistemas de pagamento ou a realização de tarefas simples, como reservar voos ou hotéis.
"Talvez o que mais nos preocupe seja justamente a ameaça de novas sanções, não apenas contra indivíduos, mas também contra a instituição", explicou.
Niang se prepara para presidir o julgamento mais importante do Tribunal até o momento, o do ex-presidente filipino Rodrigo Duterte, acusado de crimes supostamente cometidos durante sua "guerra contra as drogas".
"Vivemos em um mundo onde coisas que parecem impossíveis em um dia podem ser comprovadas de forma incontestável no dia seguinte", enfatizou, referindo-se a este julgamento e à possibilidade de Netanyahu ou o presidente russo, Vladimir Putin, comparecerem perante o TPI no futuro.
F.Wilson--AT