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Famílias denunciam prefeito e ex-prefeita de Paris por agressões sexuais nas escolas
Mais de 15 famílias que denunciam atos de violência e agressões sexuais contra seus filhos nas escolas de Paris apresentaram nesta sexta-feira (4) uma denúncia contra o prefeito da capital francesa, Emmanuel Grégoire, e sua antecessora, Anne Hidalgo, para "romper o silêncio estabelecido".
Reunidas na associação 'MeTooEcole', as famílias com filhos matriculados em diferentes colégios pedem à Justiça que examine o que os dois sabiam sobre as supostas agressões por parte de monitores de atividades extracurriculares e se fizeram algo para solucionar o problema.
A denúncia foi apresentada à Promotoria de Paris, informou o grupo de advogados denunciantes à AFP, e está direcionada contra um conjunto de pessoas, incluindo a ex-prefeita socialista Hidalgo (2014-2026) e Grégoire, seu braço direito entre 2018 e 2024 e seu sucessor desde março.
"A cidade de Paris sabia, mas não agiu (...) Esta denúncia pretende romper o sistema de silêncio que se estabeleceu há mais de 10 anos", declarou Maxime Delacarte, um dos advogados, durante uma entrevista coletiva.
A queixa sobre as supostas agressões em escolas de Paris menciona a exposição deliberada da vida de terceiros ao perigo, a omissão de socorro a pessoa em perigo e a ausência de denúncia de crimes que afetavam crianças, às vezes com idades entre dois e quatro anos.
O escândalo explodiu no início de 2025, mas os casos de abusos sexuais contra menores estão nas manchetes nos últimos meses na França, onde a cada três minutos uma criança é vítima, segundo a Comissão Independente sobre Incesto e Agressões Sexuais contra Crianças (Ciivise).
Desde o começo de 2026, a Prefeitura de Paris suspendeu 132 monitores, 52 deles por suspeitas de violência sexual ou de gênero (20 em 2025).
Mais de 200 investigações penais estão ainda em curso nas escolas de ensino básico e creches da capital, segundo a Promotoria.
Ao assumir o cargo, Grégoire anunciou um plano de ação de 20 milhões de euros (23,2 milhões de dólares, 118 milhões de reais) para prevenir agressões sexuais nas escolas parisienses.
Procurada pela AFP, a Prefeitura de Paris não respondeu de imediato.
Quando três famílias de uma escola denunciaram Anne Hidalgo no fim de agosto, o advogado da ex-prefeita, Patrick Bloche, afirmou que "nunca" houve por parte de sua cliente "nem falha, nem fragilidade, nem inação".
E.Rodriguez--AT