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Socorristas buscam centenas de desaparecidos após inundações entre Nepal e Tibete
Equipes de resgate buscavam nesta quinta-feira (27) centenas de desaparecidos na fronteira entre o Nepal e o Tibete, após enchentes repentinas e deslizamentos de terra deixarem 165 mortos e arrasarem povoados.
Imagens registradas a partir do lado chinês da fronteira mostram uma parede de lama e detritos atingindo um prédio na manhã de quarta-feira, enquanto dezenas de pessoas correm para se proteger. A cheia arrastou ônibus e carros.
O desastre foi causado pelo colapso de uma geleira, que provocou um "fluxo de detritos" e "repercussões catastróficas rio abaixo", informou o Serviço Geológico americano.
O morador Raju Bhadel, 56, contou que recebeu uma ligação de seu cunhado, que estava desesperado. "Estavam chorando e disseram que sua casa havia sido destruída." Três membros da família foram resgatados, mas seu irmão estava desaparecido.
A polícia nepalesa informou ter resgatado 157 corpos, enquanto seus agentes se esforçavam para remover famílias que ainda estavam em áreas sujeitas a inundações.
A imprensa estatal chinesa reportou 3 mortos e 265 desaparecidos após um deslizamento de terra em Gyirong, centro fronteiriço do Tibete. Funcionários do governo tibetano mobilizaram quase 800 socorristas e 150 veículos, além de cães farejadores e lanchas, para ajudar nos trabalhos, informou a agência de notícias chinesa Xinhua.
Socorristas avançavam com dificuldade em meio à lama e aos escombros, após o deslizamento soterrar os andares mais baixos de prédios.
Um total de 468 turistas, 393 deles estrangeiros, continuavam desaparecidos horas após o desastre, segundo o Ministério do Turismo do Nepal. Entre eles havia indianos, além de cidadãos de Portugal, Austrália, Reino Unido, Malásia, Países Baixos, África do Sul, Coreia do Sul, Ucrânia e Estados Unidos.
David Fisher, diretor para o Nepal da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV), informou que "povoados inteiros e áreas de mercado foram destruídos". A organização informou que está enviando suprimentos de emergência, incluindo cobertores, macas e sacos para cadáveres.
- Casas arrastadas -
Especialistas advertiram que um bloqueio persistente em um rio na fronteira entre o Nepal e a China pode causar uma nova inundação.
Vídeos divulgados pela polícia nepalesa flagraram a água da enchente subindo por um rio e arrastando casas inteiras, enquanto imagens registradas pela AFP mostram o andar superior de uma casa emergindo do solo lamacento.
O exército nepalês realizou diversos sobrevoos na área e resgatou dezenas de pessoas, enquanto outras que viviam em áreas de risco perto do rio receberam ordens para deixar esses locais.
A rede chinesa CCTV informou nesta quarta-feira que "um "desastre causado por um deslizamento de terra" no lado nepalês deixou "vítimas e desaparecidos" no porto de Gyirong, no Tibete. Segundo a emissora, o presidente chinês ressaltou que "o trabalho mais urgente é fazer o possível para socorrer as pessoas desaparecidas".
Inundações e deslizamentos são frequentes no sul da Ásia na temporada das monções, durante o verão no hemisfério norte. Segundo cientistas, as mudanças climáticas aumentam a intensidade e frequência desse tipo de fenômeno meteorológico extremo na região.
R.Lee--AT