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Resgate é mobilizado após inundações que deixam ao menos 160 mortos entre Nepal e Tibete
Equipes de resgate foram mobilizadas nesta quinta-feira (27) para localizar centenas de desaparecidos na fronteira entre o Nepal e o Tibete, após enchentes repentinas e deslizamentos de terra que deixaram pelo menos 160 mortos.
Muitos dos desaparecidos são turistas estrangeiros, informaram as autoridades sobre o desastre, que destruiu aldeias inteiras. A expectativa é de que o número de vítimas fatais aumente.
“Vi as águas arrastarem oito ou nove caminhões, além de casas e pessoas”, relatou Suman Chalise, professor de 34 anos, na localidade nepalesa de Nuwakot. “Foi absolutamente devastador (...) Presenciei um nível de destruição que nunca tinha visto em toda a minha vida”, acrescentou.
Uma filmagem de câmera de segurança do lado chinês da fronteira mostra uma violenta avalanche de lama e detritos atingindo um prédio de vários andares na manhã de quarta-feira. A enxurrada engole a construção enquanto dezenas de pessoas correm para salvar suas vidas. Também arrasta ônibus e carros como se fossem brinquedos.
A imprensa estatal chinesa informou anteriormente que havia “numerosas vítimas” após a catástrofe e, depois, apresentou um balanço preliminar de três mortos e 265 desaparecidos. Segundo o canal chinês CCTV, os dados sobre as vítimas ainda estão sendo verificados.
A polícia do Nepal indicou ter recuperado 157 corpos, enquanto equipes de resgate buscam sobreviventes em uma área montanhosa e de difícil acesso, nas encostas do Himalaia.
As autoridades do governo tibetano mobilizaram cerca de 800 profissionais de emergência e 150 veículos, além de cães farejadores e lanchas rápidas para apoiar as operações de resgate, de acordo com a agência oficial chinesa Xinhua.
Na área atingida, socorristas avançavam pela lama em busca de sobreviventes após as águas inundarem os andares inferiores de edifícios de vários pavimentos.
Cerca de 403 turistas, 341 deles estrangeiros, continuavam desaparecidos várias horas após o desastre, informou o Ministério do Turismo do Nepal. Entre eles estavam 142 indianos, além de cidadãos da Austrália, Reino Unido, Malásia, Países Baixos, Portugal, África do Sul, Coreia do Sul, Ucrânia e Estados Unidos.
David Fisher, diretor para o Nepal da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV) afirmou que "povoados inteiros e zonas de mercados foram destruídos".
A organização está enviando suprimentos de emergência, incluindo cobertores, kits de primeiros socorros, macas e sacos para cadáveres.
- Possíveis causas -
A agência de gestão de desastres nepalesa destacou que dados de satélite da Planet Labs indicam que um "desprendimento de neve e rochas" na fronteira entre o Nepal e a China poderia ter causado as inundações.
O Exército nepalês realiza buscas aéreas e resgatou dezenas de pessoas no distrito de Rasuwa, um dos mais afetados, de acordo com o governo.
O primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, fez um chamado à união, mas também pediu "paciência" à população. "Quero assegurar-lhes que não estão sozinhos nestes momentos difíceis: o Estado está com vocês com todos os seus meios e recursos", disse Shah em um comunicado publicado nas redes sociais.
- Riscos de nova enchente -
A CCTV noticiou, nesta quarta-feira, que a catástrofe teve origem em "um deslizamento de terra no lado nepalês", deixando "muitas vítimas e desaparecidos no porto Gyirong", passagem que liga a região autônoma do Tibete ao Nepal.
O presidente chinês, Xi Jinping, urgiu "fazer tudo o possível para buscar e resgatar as pessoas desaparecidas (...), atender rapidamente os feridos e reduzir ao mínimo o número de vítimas", reportou a emissora estatal.
O mandatário só costuma se expressar depois de catástrofes quando o balanço de mortos é muito elevado.
As inundações e os deslizamentos são frequentes no Nepal e em todo o sul da Ásia na temporada das monções, durante o verão no hemisfério norte. Segundo os cientistas, as mudanças climáticas aumentam a intensidade e a frequência deste tipo de fenômeno.
Qianggong Zhang, alto funcionário do Centro para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas (ICIMOD), encarregado de riscos climáticos e ambientais, alertou para a possibilidade de uma nova cheia.
"Dado que ainda há um bloco na parte alta do rio fronteiriço entre o Nepal e a China, as autoridades advertem que poderia ocorrer uma segunda enchente", disse à AFP.
W.Moreno--AT