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Milhares marcham na Argentina no dia de São Caetano, padroeiro do pão e do trabalho
Milhares de pessoas marcharam nesta sexta-feira (7) na capital argentina no dia de São Caetano, padroeiro do pão e do trabalho, em uma tradicional mobilização sindical que, nos últimos anos, tem servido como protesto contra as medidas de austeridade do presidente Javier Milei.
Como em todo 7 de agosto, a Igreja Católica celebrou uma missa no santuário de São Caetano, no bairro de Liniers, no oeste de Buenos Aires, de onde partiu em seguida a marcha convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) e por organizações sociais.
A manifestação ocorre um dia após um protesto em frente ao Congresso contra um projeto de lei de inviolabilidade da propriedade privada promovido por Milei, durante o qual houve confrontos com a polícia.
Com imagens religiosas e faixas, diferentes grupos seguiram nesta sexta-feira em direção à Praça de Maio, em frente à Casa Rosada, sede do governo argentino, sob o lema "paz, pão, teto e trabalho argentino".
"Esta marcha é, antes de tudo, religiosa, mas também é um desabafo de indignação diante da situação que estamos vivendo", declarou à AFP Lidia Campos, funcionária municipal de 55 anos.
O governo Milei promoveu profundos cortes nos gastos públicos, o que permitiu reduzir a inflação, que era de 161% em termos anuais quando ele assumiu o poder e hoje está em 33,5%, mas afetou o emprego, a atividade industrial e o consumo.
Em sua homilia pela manhã, o arcebispo de Buenos Aires, dom Jorge García Cuerva, afirmou que "a responsabilidade e a solução concreta para os problemas econômicos e sociais cabem a uma classe dirigente que, às vezes, parece olhar para o outro lado".
Para o analista político Sergio Berensztein, o discurso de García Cuerva foi "sal na ferida do governo" de Milei, ao criticar "a falta de empatia" e "a ideia de que o mercado deve resolver tudo".
Embora considere que essas manifestações ainda não refletem "um aumento da conflitividade social", Berensztein disse à AFP que elas evidenciam problemas negligenciados. "O governo acredita que a economia é a sua solução, enquanto uma parcela importante da opinião pública considera que ela é o principal problema", observou.
A.Taylor--AT