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Notre-Dame, Champs-Élysées e vítimas de abusos: a agenda do papa na França
Uma visita a Notre-Dame, uma missa na Champs-Élyséese um "discurso sobre a Europa" fazem parte do programa de Leão XIV na França, que incluirá também um encontro com vítimas de abusos sexuais em Lourdes, anunciou o Vaticano nesta sexta-feira (7).
Segundo a Conferência Episcopal Francesa (CEF), são esperados "centenas de milhares de participantes" entre 25 e 28 de setembro, os quatro dias da primeira viagem à França do papa, eleito em 2025.
- "Tempo de troca" com vítimas -
O Vaticano anunciou que o papa Leão XIV "se reunirá em privado com algumas pessoas vítimas de abusos no seio da Igreja", que "participarão elas mesmas da preparação desse encontro".
A reunião está prevista para domingo, 27, em Lourdes. "Em função do que desejarem os participantes e em coordenação com as equipes da Santa Sé, poderão eventualmente ser comunicadas informações mais precisas sobre essa questão", indicou o programa da Santa Sé.
Em maio, uma associação de mais de 200 vítimas de violências físicas e sexuais sofridas no colégio católico de Bétharram (a poucos quilômetros de Lourdes, no sudoeste) solicitou uma audiência com o papa.
Um relatório de uma comissão independente publicado em outubro de 2021 estimou em 330.000 o número de menores vítimas de abusos sexuais no seio da Igreja na França.
- Encontro com Macron -
A visita começará em 25 de setembro com um encontro com o presidente francês, Emmanuel Macron, antes de um discurso na sede da Unesco, em Paris.
O lema da viagem do papa será "Para que o mundo tenha vida", em um momento marcado pela recente aprovação, na França, do direito à morte assistida.
A medida, impulsionada por Macron, foi fortemente rejeitada pelos setores religiosos.
Em seguida, o papa celebrará as vésperas na Catedral de Notre-Dame de Paris na presença "exclusivamente de bispos, sacerdotes, diáconos, pessoas consagradas e seminaristas" e, depois, participará de uma vigília com jovens de 17 a 35 anos no Stade de France, em Saint-Denis, na periferia norte da capital.
No dia seguinte, sábado 26, Leão XIV celebrará uma missa na Praça da Concórdia e na avenida Champs-Élysées, onde são esperados cerca de 500.000 participantes.
Seu antecessor, o papa Francisco, havia viajado três vezes à França: a Estrasburgo (leste), Marselha (sudeste) e Córsega, mas não visitou Paris para a reabertura da Catedral de Notre-Dame em 2024, cinco anos após o incêndio.
- Aceno à Europa -
No domingo 27, Leão XIV celebrará em Lourdes, um dos principais lugares de peregrinação católicos, outra missa ao ar livre.
Sua visita terminará na segunda-feira 28 na região de Moselle, no nordeste da França, onde está enterrado Robert Schuman, um dos pais da construção europeia e cujo processo canônico de beatificação foi iniciado pela Igreja.
Está previsto um "discurso sobre a Europa" no Centro de Congressos de Metz, a capital regional, e uma missa em sua catedral.
A viagem é financiada "quase integralmente com a generosidade dos fiéis", recorda a Igreja francesa, que voltou a pedir doações.
M.O.Allen--AT