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Erupção de vulcão na Guatemala deixa centenas de deslocados
Centenas de pessoas permaneciam em refúgios nesta terça-feira (4), após serem retiradas de suas aldeias na base do Vulcão de Fogo, a 35 km da capital da Guatemala, após uma forte erupção que deixou o país em alerta na noite de segunda-feira.
O vulcão, considerado o mais ativo da América Central, entrou em fase eruptiva na manhã de segunda e, durante a noite, aumentou sua intensidade com a expulsão de lava, além de grandes colunas de gases e cinzas, o que fez as autoridades declararem alerta de "perigo", o segundo nível mais alto.
Pelo menos 500 pessoas da aldeias de El Porvenir e Las Lajitas foram levadas de ônibus para um salão comunitário na zona urbana do município de San Juan Alotenango, ao leste do vulcão, área de menor risco, segundo dados preliminares dos Bombeiros Voluntários.
"Já estamos acostumados a ter o vulcão sempre ativo, mas agora foi demais", declarou à AFP Sonia Vásquez, de 50 anos, moradora de El Porvenir, que passou a noite no abrigo.
Alejandro García, que também mora nesta aldeia, contou à AFP que o vulcão amanheceu muito ativo na segunda-feira e "de noite deram o alerta de que era preciso sair".
García afirmou que a população decidiu sair por medo, ao ver a lava descendo pelas encostas do vulcão, pois está viva na memória a potente erupção do Vulcão de Fogo em 3 de junho de 2018, que devastou uma comunidade e deixou 215 mortos e um número similar de desaparecidos.
Camas improvisadas foram dispostas no salão de San Juan Alotenango à espera da diminuição da atividade vulcânica. Muitos saíram de casa apenas com um punhado de roupas e comida.
Outras dezenas de famílias, muitas com crianças, foram transferidas para refúgios no município de Escuintla (sul), informaram as autoridades locais, enquanto o número total de deslocados ainda é desconhecido.
- "O vulcão não avisa" -
A estatal Coordenação Nacional para a Redução de Desastres (Conred) declarou, na noite de segunda-feira, "alerta laranja em nível nacional", anterior ao vermelho, para que todas as instituições públicas se preparem, caso seja necessário.
O Instituto de Vulcanologia (Insivumeh) afirmou, nesta terça-feira, que a atividade eruptiva já acumula 23 horas desde que começou e reiterou que persiste o risco de deslizamento de material incandescente no flanco sul do vulcão.
O Ministério da Educação ordenou a suspensão das aulas presenciais até nova ordem em comunidades de três municípios próximos ao vulcão.
"Se houvesse a possibilidade de mudar de casa, seria melhor, porque a gente fica com esse medo de que, como o vulcão não avisa, de repente começa a entrar em erupção", disse Lidia Ortiz, de 40 anos, no abrigo de Alotenango.
Enquanto isso, a polícia rodoviária mantinha fechada a estrada no entorno do vulcão, que liga a costa sul à cidade colonial de Antígua, principal local turístico do país.
Os especialistas do Insivumeh explicaram que, na segunda-feira, foi produzida uma fonte de lava de 200 a 300 metros de altitude acima da cratera e que a coluna de cinzas passou de 7.000 metros.
Além disso, alertou para a dispersão das cinzas a altitudes entre 5.000 e 6.000 metros, que se deslocam a distâncias de até 130 km na direção oeste, chegando à costa do Pacífico.
As autoridades recomendaram que sejam tomadas "precauções com o tráfego aéreo", mas até agora o aeroporto internacional na Cidade da Guatemala não foi afetado.
As erupções mais recentes do Vulcão de Fogo, de 3.763 metros de altitude, ocorreram em fevereiro passado e em junho de 2025, que forçou a retirada de cerca de 800 pessoas.
Em 1932, uma erupção do Vulcão de Fogo lançou cinzas que chegaram a El Salvador (a 125 km de distância) e Honduras (a 175 km).
Situado a 65 km por terra da capital, o vulcão fica entre os departamentos de Escuintla, Chimaltenango e Sacatepéquez, vizinhos da província de Guatemala, e é um dos três vulcões ativos do país, juntamente com o Pacaya (sul) e o Santiaguito (oeste).
A.Clark--AT