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Nigéria desmantela laboratório de metanfetamina e teme ligação com cartéis mexicanos
Enormes caldeirões e tanques de produtos químicos foram abandonados em um galpão escondido em uma floresta na Nigéria. São os vestígios de uma suposta operação bilionária de metanfetamina com possível conexão com o México.
As autoridades deste país africano desmantelaram um rudimentar laboratório de drogas depois que um julgamento contra três mexicanos levou a uma série de operações de busca e apreensão neste local.
A AFP visitou o laboratório, no sudoeste do país, junto com funcionários da Agência Nacional para o Controle de Drogas (NDLEA), que levaram um soldador e um carpinteiro locais para desmontar os equipamentos usados na produção de metanfetamina.
Nos últimos anos, a África Ocidental se tornou um ponto de trânsito para drogas direcionadas que saem da América do Sul para a Europa, principalmente cocaína.
Mas a apreensão de metanfetamina, que permitiu desarticular o maior narcolaboratório descoberto até agora na Nigéria, levantou o temor da presença de cartéis mexicanos no país.
"Estamos preparados" para enfrentar o cartel, disse à AFP James Taalba, subcomandante de narcóticos da NDLEA.
O laboratório ficava dentro de uma mata entre as aldeias de Abidagba e Iroto. Em maio, as autoridades prenderam 10 pessoas e fizeram uma busca na instalação, assim como em duas propriedades residenciais em um bairro nobre de Lagos, a capital econômica da Nigéria.
Foram apreendidas metanfetamina e substâncias químicas para sua fabricação, avaliadas em 360 milhões de dólares (R$ 1,8 bilhão, na cotação atual).
Embora o processo ainda esteja em andamento a portas fechadas em Lagos, o tribunal ordenou o desmantelamento do laboratório por motivos ambientais, explicou Patricia Afolabi, diretora de perícia da NDLEA.
Segundo ela, os produtos usados para fabricar a droga, que ficaram no galpão como prova, estavam contaminando as águas subterrâneas e o ar.
- Tráfico internacional -
Os portos da África Ocidental se tornaram pontos de escala para carregamentos transcontinentais de cocaína com destino à Europa.
Parte do produto acaba vazando para os mercados internos desses países, um fenômeno que os serviços de saúde não conseguem administrar com seus escassos recursos.
Outras substâncias, como a metanfetamina, podem ser produzidas localmente.
As apreensões desta substância e as operações em laboratórios na Nigéria vêm aumentando aproximadamente desde 2011, segundo um relatório de 2019 do Instituto de Estudos de Segurança.
Em junho, outro mexicano foi detido em uma operação contra a metanfetamina no estado de Oyo, também no sudoeste.
Florence Banjo, uma agricultora local, disse que o cheiro do laboratório desmantelado às vezes chegava à sua aldeia vizinha de Abidagba, a cerca de um quilômetro de distância.
O intenso movimento e a atividade de construção na área inicialmente lhe deram esperanças. "Ouvimos rumores de que iam construir ali um conjunto habitacional, e fiquei feliz porque finalmente iam asfaltar a estrada que leva à nossa aldeia (...) Ficamos desapontados", contou a mulher de 59 anos à AFP.
W.Morales--AT