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Novas ferramentas de IA permitem que leitores conversem com os livros
Conversar com um livro durante a leitura não é mais ficção científica. Uma nova geração de ferramentas de inteligência artificial (IA) permite aos leitores fazer perguntas sobre uma obra e receber respostas imediatas.
No entanto, esta tecnologia também gera dúvidas sobre direitos autorais, remuneração de escritores e editoras, e os limites legais do uso de obras protegidas para treinar ou alimentar sistemas de IA.
Algumas organizações de autores alertam que estas ferramentas poderiam criar precedentes problemáticos se forem implementadas sem autorização ou compensação para os criadores.
Com as novas plataformas, os leitores de livros eletrônicos ou ouvintes de audiolivros acessam um robô conversacional (chatbot), com o qual podem trocar mensagens enquanto avançam na leitura.
"Interage-se com o livro como se estivesse vivo; é uma experiência completamente diferente", afirma Ahmed Kamel, diretor-geral da Sinai.ai, uma plataforma atualmente em fase de testes.
Os leitores podem explorar a psicologia de um personagem, o contexto histórico da trama ou um conceito filosófico sem precisar abandonar a obra para buscar informação adicional.
A francesa My Smart Book lançou uma proposta similar à da Sinai.ai, baseada unicamente no conteúdo do livro.
A Amazon, multinacional americana que começou como uma livraria online, somou-se a esta tendência. Sua empresa de audiolivros, a Audible, lançou no último trimestre de 2025 uma função chamada "Ask a Question" ("Faça uma pergunta").
Os usuários podem fazer perguntas, receber respostas e retomar a escuta de onde pararam.
Um porta-voz da Audible disse à AFP que a ferramenta foi projetada para responder perguntas sobre o audiolivro que o usuário escuta no momento.
A plataforma de livros eletrônicos da Amazon, Kindle, tem uma função similar, chamada "Ask this Book" (Pergunte a este livro).
E a ElevenLabs, uma das empresas de maior projeção no âmbito da tecnologia de voz com IA, criou a "ElevenReader Voice Chat", que, segundo diz, "transforma qualquer livro em uma conversa bidirecional".
- Quem ganha? -
A questão de quem tem direito de desenvolver estes serviços e quem fatura com eles permanece um dos pontos mais debatidos.
A Sinai.ai assegura que só trabalha com livros de domínio público ou com obras para as quais conta com autorização do autor, seus herdeiros ou a editora.
Outra empresa, a iChatbook, o faz de forma diferente.
"Nosso livro conversacional não é uma biblioteca de livros; é uma biblioteca de conceitos, ideias e dados", explica seu fundador, Brian Yang.
Em vez de reproduzir o texto original, esta IA resume e explica suas ideias-chave. E como nunca cita o livro diretamente, evita muitas dores de cabeça relacionadas aos direitos autorais.
No entanto, nem todas as plataformas agem com o mesmo cuidado. Algumas, como a Myreader, permitem que os usuários carreguem qualquer livro, estando ou não protegido por direitos autoriais, e depois conectá-lo a uma interface de IA.
A NotebookLM, popular ferramenta do Google — renomeada há pouco como Gemini Notebook —, tampouco filtra por direitos autorais. O mesmo acontece com a BookWorm AI, ferramenta baseada no ChatGPT, que se apresenta como um "companheiro de leitura".
A Sinai.ai assegura ter criado o que chama de "direitos de IA", um sistema que remunera autores e editoras quando um chatbot utiliza sua obra.
A empresa afirma, ainda, que negocia com várias das principais editoras americanas, como Hachette, Penguin Random House, Simon & Schuster, HarperCollins e Macmillan.
Nenhuma dessas cinco grandes editoras respondeu às consultas da AFP sobre seus planos na área da IA.
"Assinamos acordos com várias editoras nos Estados Unidos e com grandes nomes no Oriente Médio", disse Kamel.
Mas essa tecnologia não desperta o entusiasmo de todos.
Em dezembro, o sindicato de autores americano Authors Guild criticou duramente a ferramenta "Ask this Book", da Amazon, por considerar que estabelece "um precedente perigoso".
"Não tem autorização legal para usar conteúdos, não aporta receita adicional e não oferece nem às editoras, nem aos autores a possibilidade de se excluir do sistema, e menos ainda de aderir de forma voluntária", enfatizou.
M.White--AT