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Espanha enfrenta dias cruciais para conter incêndios perto de Madri
A Espanha enfrenta dois dias decisivos para controlar os incêndios nas imediações de Madri, onde dezenas de milhares de pessoas têm a esperança de retornar em breve para suas casas ou para o que restou delas.
O avanço dos incêndios de magnitude histórica desacelerou, anunciaram nesta segunda-feira (27) as autoridades, que pretendem estabilizar seu perímetro antes de uma nova onda de calor no meio da semana que pode complicar a situação.
Depois de um início de verão (hemisfério norte) marcado pelo calor intenso e pela seca, vários incêndios, a maioria em Madri e suas imediações, queimaram dezenas de milhares de hectares e obrigaram 75.000 pessoas a abandonarem suas casas ou locais de férias.
Algumas poderão retornar a partir desta segunda-feira, anunciaram as autoridades, mas sem saber se as residências sucumbiram ou não às chamas.
- "Perdemos tudo" -
Na serra ao oeste de Madri, onde muitos moradores da capital costumam escapar do calor do verão, María Ángeles Cañete contemplava, tentando conter as lágrimas, seu camping destruído.
"Perdemos tudo", disse à AFP. "Tínhamos este camping, tínhamos outro e perdemos tudo. Não temos nada".
O incêndio, que começou na província de Ávila mas que se estendeu à região de Madri, é o "maior incêndio florestal da história recente" da Espanha, com quase 50.000 hectares afetados, afirmou o governo no domingo.
A reabertura do trânsito em algumas rodovias até agora interditadas permitiu constatar, nesta segunda-feira, os efeitos das chamas ao oeste da capital: uma dezena de veículos carbonizados em um parque industrial, um pinheiro que ainda queimava em meio a um bosque ou um filhote de veado morto.
"É desolador. Veados mortos, animais desaparecidos. Lá em cima há animais mortos, tenho tudo gravado", disse à AFP Karim Benali, um voluntário em uma área próxima ao município de Navaluenga.
"Ninguém fez nada (...) aqui deixaram que queimasse", lamentou.
Como também acontece na França, afetada por vários incêndios, a seca e as ondas de calor excepcionais que se sucedem desde junho aumentaram a inflamabilidade das florestas e dificultaram os trabalhos de extinção das chamas.
Durante a noite de domingo para segunda-feira, a queda das temperaturas, a diminuição do vento e a maior umidade favoreceram o trabalho dos bombeiros.
Os incêndios "reduziram o avanço" durante a madrugada de segunda-feira, informou a delegação do governo espanhol em Madri, que advertiu, no entanto, que o fogo "segue ativo e sem estar estabilizado".
Além disso, a janela de oportunidade é curta. Uma nova onda de calor pode levar as temperaturas a até 40ºC no centro e no sul do país e voltar a dificultar os trabalhos de combate às chamas.
"Segunda e terça são dias absolutamente centrais para controlar o fogo", advertiu o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska. "A partir de quarta-feira, as previsões meteorológicas são realmente negativas", acrescentou.
Além dos incêndios próximos a Madri, outro foco afeta o leste do país, em Castellón, para onde o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, viajou nesta segunda-feira.
O governante de esquerda atribuiu a situação à mudança climática. "Não é uma sucessão de episódios isolados, e sim a expressão mais dolorosa de uma emergência climática", disse. "Não é mais uma exceção, é a regra em si", completou.
K.Hill--AT