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Espanha enfrenta 'o maior incêndio florestal' de sua história recente
A Espanha enfrenta o maior incêndio florestal de sua história recente, com quase 77.000 hectares afetados pelas chamas, enquanto na França os bombeiros combatem uma "tempestade de fogo" a apenas 15 quilômetros dos arredores de Bordeaux.
Incêndios florestais de grandes proporções consumiram dezenas de milhares de hectares na Europa e forçaram a evacuação de 325 mil pessoas na França e na Espanha.
Um dos incêndios na Espanha, em Ávila, noroeste de Madri, devastou quase 50.000 hectares.
"Estamos falando do maior incêndio florestal da história recente do nosso país, na Espanha", declarou a ministra da Transição Ecológica, Sara Aagesen.
Vários focos de incêndio em Madri e nas províncias vizinhas de Toledo e Ávila ameaçaram se fundir em um enorme incêndio ao redor da capital, forçando a evacuação de cerca de 60.000 pessoas.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, alertou que "horas difíceis" estão por vir.
Vestidos casualmente, o rei Felipe VI e sua esposa Letizia, juntamente com outras autoridades, visitaram um clube esportivo municipal transformado em alojamento improvisado para centenas de pessoas deslocadas da cidade madrilenha de Villamanta.
"Perdemos um patrimônio natural incalculável", lamentou o monarca. Enquanto isso, a rainha destacou a angústia dos desabrigados e falou sobre "aquelas perguntas que ficaram no ar: quando voltarei? como estará a minha casa?".
"Viemos apenas com a roupa do corpo porque pensávamos que voltaríamos no dia seguinte. Estamos tão cansados, exaustos e ansiosos para voltar para casa", disse Helena, uma mulher de 45 anos que dorme no abrigo improvisado desde quinta-feira.
A fumaça cobriu Madri no sábado e ainda obscurecia as montanhas ao redor de San Martín de Valdeiglesias, a oeste, no domingo, observou um repórter da AFP.
Além disso, um novo incêndio está queimando na província valenciana de Castellón, o que forçou a evacuação de pelo menos 15.000 pessoas, e em Valência, uma pessoa morreu em um incêndio menor.
- "Tempestade de fogo" -
Na costa atlântica da França, perto de Bordeaux, os bombeiros combatem um fenômeno conhecido como "tempestade de fogo", que faz com que as chamas se tornem incontroláveis, explicou o tenente-coronel Éric Brocardi, porta-voz da Federação Nacional dos Bombeiros.
No centro do incêndio, o calor é tão intenso que "faz com que tudo em seu caminho entre em combustão espontânea. Os raios atingem as brasas no solo, alimentando ainda mais o fogo", afirmou Brocardi.
Este incêndio já afetou 42.000 hectares e, desde quarta-feira, mais de 220.000 pessoas foram evacuadas.
Em Le Porge, entre Bordeaux e a zona turística abastada de Cap Ferret, imagens aéreas da AFP mostraram fileiras de casas queimadas e veículos carbonizados.
"Não sobrou nada. Tudo queimou", lamentou Mathieu Plessis no sábado, ao voltar à aldeia. "Aquilo era a minha casa. Não vejo nada, só desolação", disse à AFP.
As chamas ameaçam a metrópole de Bordeaux, coração da região vinícola de Gironde, e força o fechamento de uma importante rodovia e a interrupção parcial do serviço ferroviário.
Segundo o prefeito Thomas Cazenave, o incêndio está a "15 km" da cidade. Embora uma evacuação de seus 270 mil habitantes não seja considerada no momento, "estamos preparados para tudo", afirmou.
- Nova onda de calor -
As autoridades alertaram que uma onda de calor prevista para começar na terça-feira pode agravar a situação, com temperaturas estimadas entre 38°C e 40°C.
"A situação continua muito desfavorável", declarou o ministro do Interior, Laurent Nuñez.
Milhares de bombeiros exaustos, auxiliados por 1.500 soldados e 1.200 policiais, combatem as chamas que consomem quase tudo em seu caminho.
Além desse incêndio gigantesco, os bombeiros franceses também combatem focos de incêndio há dias nas regiões de Landes (sudoeste), Var (sudeste) e na ilha turística da Córsega.
As florestas pegam fogo com mais facilidade porque a vegetação e o solo estão muito secos há meses, um fenômeno agravado pelas ondas de calor excepcionais de junho e julho.
A mudança climática, causada principalmente pela queima contínua de petróleo, carvão e gás, agrava a seca atual, concluíram climatologistas do grupo World Weather Attribution em um estudo publicado na quinta-feira.
T.Wright--AT