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'Bem-vindos a Ciudad Carpita': a vida de refugiados após terremotos de junho na Venezuela
"Bem-vindos a Ciudad Carpita", diz uma placa junto a uma bandeira da Venezuela, na entrada de um acampamento de pessoas desabrigadas após os terremotos do mês passado no estado de La Guaira.
Resignadas ao que será uma longa espera, as famílias começam a se organizar em barracas neste abrigo improvisado em La Guaira, o marco zero dos tremores de magnitude 7,2 e 7,5 que sacudiram a Venezuela e já deixaram 5.069 mortos.
"Temos que seguir em frente, temos que agradecer por termos uma oportunidade", diz à AFP Hengelbert Bello, de 38 anos, que perdeu vários familiares. "Com um propósito para frente, mente clara, (é possível) continuar a vida e ajudar os que ainda temos", assegura.
Ele morava com a família no Gran Cacique Mare Abajo, um conjunto residencial de 1.000 apartamentos construídos pelo governo de Hugo Chávez (1999-2013), arrasado pelos terremotos.
Desde então, mudou-se para a praia em frente junto com os vizinhos. Entre as fileiras de barracas, esses refugiados se empenham nas tarefas domésticas ao ar livre, enquanto duas meninas tomam banho de mar.
Compartilham geladeiras e cozinham com botijões de gás em grandes panelas comunitárias. Também alugam máquinas de lavar portáteis por 5 dólares (25 reais).
"No meio do que estamos passando, temos que fazer o que for possível para manter as coisas limpas e em ordem (...) Se Deus nos deu mais uma oportunidade, (é preciso) seguir em frente", diz Eunice Hernández, de 45 anos, mãe de dois adolescentes.
- 'Muitos sonhos ruíram' -
Os aparelhos elétricos funcionam graças a um cabo conectado a um poste da iluminação pública, embora o fornecimento de energia falhe muitas vezes. Autoridades enviam diariamente um caminhão-pipa, para que encham gratuitamente seus tanques portáteis.
Mais de 21.000 pessoas afetadas pelos sismos vivem em acampamentos em Caracas e La Guaira, segundo números oficiais. Em muitos casos, elas não têm água suficiente nem banheiros.
Médicos destacados em hospitais de campanha na região tentam impedir a propagação de doenças respiratórias e intestinais.
"Cada vez que venho sinto tristeza porque ninguém quer passar por isso", contou em lágrimas o barbeiro Ramón González, de 42 anos, ao mostrar como ficou a torre onde vivia.
No dia dos terremotos, uma adolescente que ia celebrar sua festa de 15 anos morreu. "Parte-me o coração porque ela era como minha filha (…) Muitos sonhos ruíram aqui", acrescentou.
González lamenta ter perdido o lar em que vivia com a esposa e os quatro filhos. Agora compartilham o abrigo com dois idosos que não têm família. "Sobrevivemos a muita coisa", afirmou. "Vou esperar o tempo que for necessário para recuperar minha casa".
E.Rodriguez--AT