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EUA acelera ajuda à Venezuela após terremotos com abertura de porto
Entre a recuperação dos corpos e a busca por sobreviventes, representantes de quase 30 países tentam, nesta terça-feira (30), ajudar a Venezuela a se reerguer após o terremoto duplo que afetou o país na semana passada, uma tragédia que provocou mais de 1.700 mortes e deixou dezenas de milhares de desaparecidos.
A Nasa (agência espacial dos Estados Unidos) calcula que mais de 58.000 edifícios foram provavelmente danificados ou destruídos pelos terremotos que assolaram o norte da Venezuela, segundo uma avaliação preliminar de dados de satélite.
Na segunda-feira, fuzileiros navais dos Estados Unidos colocaram novamente em operação o porto de La Guaira para assegurar a entrada de equipamentos e suprimentos para os trabalhos de assistência após os terremotos, 7,2 e 7,5 graus de magnitude, que, com menos de um minuto de intervalo, devastaram o país em 24 de junho.
Os tremores estão entre os mais intensos e devastadores registrados na América Latina no último século.
Na área de depósitos do porto de La Guaira, o estado mais devastado, um necrotério improvisado foi instalado, constatou a AFP.
Prédios transformados em montanhas de escombros são revirados por equipes de resgate e voluntários com a esperança de encontrar algum sobrevivente, uma possibilidade remota depois de mais de cinco dias da tragédia.
Na segunda-feira, um novo tremor de 4,6 graus de magnitude foi registrado e aumentou o medo entre a população.
- À espera de milagres -
O governo militarizou La Guaira e impôs um procedimento de autorização para permitir o acesso à área de desastre.
A população não esconde sua revolta com a ajuda lenta e escassa do governo, em um país que enfrenta uma crise profunda que motivou a emigração de milhões de pessoas.
Um total de 27 países mobilizaram cerca de 40 equipes de busca e resgate, o que representa mais de 2 mil pessoas, com o auxílio de mais de 160 cães, informou Gianluca Rampolla, coordenador da ONU na Venezuela.
A ONU, acrescentou o funcionário, fornecerá 10.000 sacos mortuários ao país, mas espera que o balanço final seja inferior.
A janela crítica de 72 horas para encontrar sobreviventes terminou na noite de sábado. Milagres, no entanto, podem acontecer.
Uma mensagem de WhatsApp de uma mulher provocou esperanças de encontrar alguém entre os escombros.
Um jovem de 21 anos, identificado como Aarón Levi, foi resgatado na segunda-feira na localidade de Tanaguarena, segundo um vídeo divulgado por uma fotógrafa que acompanhou a operação.
Em 1999, La Guaira foi devastada por chuvas e deslizamentos que deixaram mais de 10.000 mortos. Agora, o governo calcula que 855 prédios tenham sofrido danos por causa dos terremotos, incluindo 189 que desabaram por completo, em La Guaira e Caracas. Já a ONU calcula quase 7 milhões de desabrigados e danos materiais de 6,7 bilhões de dólares (R$ 34,6 bilhões), o que representa 6% do PIB do país petroleiro.
Em La Guaira, "a escassez de comida é generalizada, os serviços básicos entraram em colapso", afirmou o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados.
"As tensões comunitárias estão aumentando, já que o acesso à ajuda continua limitado", acrescentou.
- "Minha família está ali" -
Os dois crematórios do único cemitério público de Caracas operavam em sua capacidade máxima. Entre sexta-feira e sábado, foram realizados mais de 60 enterros por dia.
Quando os trabalhadores começaram a fechar o caixão de seu sobrinho, Sergio Vergara caiu de joelhos no chão. Foi ele quem o encontrou ao lado de toda a família em um prédio que desabou em La Guaira. "Foi uma experiência horrível, tirar ele, os filhos dele", disse o venezuelano de 42 anos.
Muitos ainda aguardam pelos corpos de seus parentes.
"Minha família está ali, me disseram que minha irmã e os filhos dela estão lá, assim como os filhos do meu irmão, que sobreviveu", disse Wilker Molalla, de 25 anos, enquanto aguarda para identificar os corpos no necrotério improvisado do porto. Apenas ele e o irmão sobreviveram de uma família de 11 membros.
O medo persiste. "Não consigo dormir debaixo de um teto, tenho pânico de morrer esmagado", disse Sergio Vergara no enterro de um sobrinho.
M.O.Allen--AT