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Mais de 50 mil desaparecidos sob os escombros do terremoto duplo na Venezuela
Quase 600 mortos e mais de 50 mil desaparecidos: o balanço do terremoto duplo na Venezuela continua aumentando, enquanto cresce o desespero para encontrar sobreviventes e a ajuda oficial segue insuficiente.
Os terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 que atingiram o norte do país na quarta-feira (24) deixaram um cenário de devastação, com dezenas de edifícios desabados, especialmente em La Guaira, cidade costeira vizinha a Caracas, onde moradores denunciam a precariedade das operações de resgate.
"Precisamos de máquinas... de pessoas!", gritava um grupo de moradores diante de um prédio destruído. "Somos nós mesmos procurando ajuda, o povo tentando levantar isso aqui", disse outra mulher.
La Guaira virou um amontoado de poeira, areia e escombros. Familiares, vizinhos e voluntários tentam avançar entre os destroços, mas dizem precisar de equipamentos especializados para cortar vergalhões e remover grandes blocos de concreto.
O chefe de ajuda humanitária da ONU, Tom Fletcher, estima que mais de 50 mil pessoas estejam desaparecidas.
"Trata-se de uma operação de resgate extremamente complexa", afirmou à AFP.
A presidente Delcy Rodríguez informou que há pelo menos 589 mortos e 2.980 feridos.
- Ajuda internacional -
Quase 48 horas após os terremotos, equipes internacionais de busca e resgate de pelo menos 17 países começaram a se mobilizar. Socorristas de El Salvador, México, Colômbia e Equador já chegaram ao país. A imprensa venezuelana também informou sobre a chegada de equipes e suprimentos do Chile e da Suíça.
As buscas avançam lentamente, e ainda há corpos visíveis sob os escombros.
Em Caracas, durante a madrugada desta sexta-feira, trabalhadores iluminados por refletores golpeavam os destroços de um prédio desabado. "Silêncio absoluto", gritou um deles para tentar ouvir possíveis sobreviventes. "Uma lanterna, uma lanterna", pediu outro.
Nas redes sociais circula uma lista não oficial de desaparecidos com mais de 51 mil nomes.
- "Ele está ali" -
Em La Guaira, onde fica o principal aeroporto do país, interditado após o terremoto, alguns moradores tentam resgatar sozinhos parentes soterrados.
"Ele está ali", soluça Alessandro del Giudice, de 23 anos, enquanto procura o pai sob uma montanha de escombros.
Sua avó, Amparo, tenta retirar os destroços com as próprias mãos. "São muitas pedras e, com as mãos, não dá", lamenta.
"As autoridades não servem para nada. Os militares deveriam estar aqui com todo o maquinário que têm", acrescenta.
A presidente, que assumiu interinamente o poder após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos em janeiro, visitou La Guaira na quinta-feira (25) e declarou a região "zona de desastre". A AFP constatou saques no local.
- "Venham ajudar" -
A líder da oposição e vencedora do Nobel da Paz María Corina Machado pediu a libertação de "todos os presos políticos", civis e militares, "para que possam ser recebidos por suas famílias nestas horas trágicas".
Após o presidente Donald Trump prometer ajudar seus "novos e grandes amigos", os Estados Unidos anunciaram o envio de 150 milhões de dólares (R$ 819 milhões), além de dois navios de guerra, aviões de transporte e helicópteros para apoiar a Venezuela.
Um general do Comando Sul, Kevin J. Jarrard, já está em Caracas para supervisionar as operações de resgate e prestar assistência humanitária nas áreas afetadas.
A força dos terremotos foi sentida até na Colômbia. Desde então, mais de 130 réplicas foram registradas. A Venezuela é um país sujeito à atividade sísmica, mas não registrava um terremoto de grande magnitude desde 1997.
J.Gomez--AT