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Terremotos deixam mais de 30 mortos e 700 feridos na Venezuela
Dois terremotos praticamente consecutivos sacudiram a Venezuela na quarta-feira (24) e provocaram pelo menos 32 mortes, além de mais de 700 feridos, em um cenário de destruição de edifícios e cenas de pânico em Caracas e outras regiões do país, informaram as autoridades nesta quinta-feira (25).
Um primeiro tremor de 7,2 graus de magnitude com epicentro 21 km ao oeste de Morón, no norte do país, aconteceu às 18h04 locais (19h04 de Brasília) e foi seguido quase um minuto depois por outro, mais forte, de 7,5 graus de magnitude, a alguns quilômetros de distância, informou o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) na rede social X.
Os terremotos foram tão potentes que também foram sentidos na Colômbia, onde algumas sirenes de alerta foram acionadas.
La Guaira, uma cidade a 40 minutos de distância de Caracas e onde fica o aeroporto internacional de Maiquetía, é a área mais afetada pelos tremores.
"Não temos nada, agora não temos nada, nem sequer força, nem coragem para entrar ali, imagina", disse à AFP Larry Rojas, de 49 anos, diante de um prédio que desabou e onde sua família estava presa sob os escombros.
A presidente interina, Delcy Rodríguez, anunciou o balanço de 32 mortos e mais de 700 feridos, mas destacou que ainda não tinha os dados de La Guaira.
"Há dezenas de edifícios que desabaram e estamos, neste momento, em trabalhos muito árduos de resgate para salvar as vidas que Deus nos permita salvar", disse a presidente em uma mensagem ao país.
- Moradores mobilizados -
As ruas de La Guaira, na costa, permaneceram no escuro durante a noite. Moradores pediam ajuda e se mobilizavam para tentar resgatar as pessoas que ficaram presas nos escombros.
"Tem gente viva ali e ninguém vem salvar", disse uma mulher que esperava notícias da filha que ficou soterrada em um prédio de 12 andares que desabou completamente.
O governo interino decretou estado de emergência em todo o país diante da gravidade dos danos e declarou La Guaira como uma "zona de desastre".
Vários pontos da cidade ficaram sem energia elétrica.
Os tremores também danificaram parte das instalações do aeroporto internacional de Maiquetía, que atende à capital venezuelana.
O terminal aéreo foi fechado "por graves danos em sua infraestrutura", afirmou Rodríguez em seu pronunciamento.
Caracas ainda conta, no entanto, com o aeroporto militar de La Carlota, localizado em plena zona metropolitana.
Na capital, as cenas eram de destruição e pânico. Uma jornalista da AFP viu um edifício de 22 andares completamente destruído na área de Chacao, zona leste da cidade.
Pessoas gritavam os nomes de parentes nas ruas e alguns voluntários subiam nos escombros. "Precisamos de lanternas", pediu um deles ao cair da noite.
Do lado de fora do centro comercial Sambil, também em Chacao, Heidi Romero, uma comerciante de 42 anos, estava assustada com a dimensão dos tremores.
"Não sei quanto tempo durou. Eu estava no último andar. Caíram muitas coisas de algumas lojas. Saímos pelas escadas de emergência, foi por onde nos tiraram", disse à AFP.
"Os degraus se soltaram, toda a parede rachou. Coisas caíram do teto. Foi horrível", relatou Odalis Escalona, uma funcionária bancária de 54 anos.
- Ajuda dos Estados Unidos -
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que os dois terremotos provocaram uma "quantidade devastadora" de mortes na Venezuela, país que considera um aliado desde que ordenou a captura, em uma operação militar, do então presidente Nicolás Maduro.
"Estaremos lá para nossos novos e grandes amigos. Os primeiros relatos não são bons", escreveu o republicano nas redes sociais.
Seguindo ordens de Trump, o secretário de Estado, Marco Rubio, anunciou que Washington "está enviando de maneira imediata equipes de busca e resgate, recursos médicos e assistência humanitária à Venezuela".
Rodríguez informou depois que teve uma conversa telefônica com Rubio, "que expressou sua solidariedade e apoio ao povo venezuelano nestes momentos difíceis".
Muitos países da América Latina, assim como Espanha, Itália, China e Índia, também expressaram solidariedade e ofereceram ajuda.
- "20 tremores secundários" -
Em diversos pontos de Caracas, edifícios desabaram, segundo jornalistas da AFP. Dezenas de socorristas trabalhavam entre os escombros procurando possíveis sobreviventes.
"Registramos 20 tremores secundários, é um fato de graves consequências, (...) há estados particularmente afetados", afirmou Delcy Rodríguez.
A líder opositora e Nobel da Paz, María Corina Machado, enviou uma mensagem de incentivo.
"Meu coração, meu abraço infinito e minhas orações estão com cada lar venezuelano nestas horas de angústia", escreveu no X. Corina Machado está fora da Venezuela desde novembro.
Os terremotos foram sentidos com força nos estados de Trujillo, Carabobo, Miranda e La Guaira, segundo o ministro do Interior, Diosdado Cabello.
A Venezuela é cenário frequente de tremores. Os terremotos mais fortes das últimas décadas aconteceram em 1997 em Cariaco (nordeste), com 73 mortos, e em 1967 em Caracas, com 236 falecidos.
A.Moore--AT