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Associação de imprensa denuncia prisão de fotojornalista salvadorenho na Espanha
A Associação de Jornalistas de El Salvador (Apes) denunciou a prisão do fotojornalista Diego Andrés Rosa Rosales, ocorrida nesta sexta-feira (2) quando ele solicitava asilo político na Espanha, após a ativação de uma ordem da Interpol tramitada pelo governo de Nayib Bukele.
Nos últimos seis meses, 50 jornalistas tiveram que deixar El Salvador por medo de serem presos por seu trabalho crítico do governo Bukele, segundo a Apes.
Rosa "tramitava seu pedido de asilo e foi detido devido a um alerta da Interpol solicitado por autoridades salvadorenhas", denunciou a associação, na rede social X.
Bukele reagiu na mesma plataforma, onde afirmou que Rosa busca obter algum tipo de privilégio. "O novo foro é ser jornalista. O foro político está desprestigiado e carece de validação internacional, mas basta se autodenominar jornalista para obter impunidade total", criticou o presidente.
A Apes destacou que Rosa, de 25 anos, "foi submetido a perseguição policial, ameaças e um processo judicial infundado" em El Salvador, sob a acusação de "associações ilícitas", um crime com o qual se processam membros de grupos criminosos.
Segundo a imprensa espanhola, o fotojornalista foi detido em uma delegacia de Sevilha, onde solicitava proteção internacional. Ele é alvo de um alerta vermelho da Interpol com fins de extradição, e vai comparecer amanhã perante a Justiça, que vai decidir se prosseguirá com a extradição ou com o asilo.
Em sua página do Facebook, a seção espanhola da ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF) considerou que "a Espanha não deve colaborar na repressão de jornalistas" e pediu sua libertação "urgente".
Rosa trabalhou no renomado jornal digital salvadorenho El Faro e no jornal La Prensa Gráfica. Também colaborou com veículos internacionais, como The Guardian e El País, segundo a Apes.
"Exigimos o fim imediato da perseguição, vigilância e dos processos judiciais infundados contra" o jornalista e sua família, pediu a organização de jornalistas de El Salvador.
A Apes transferiu recentemente sua personalidade jurídica para o exterior, depois que o país implementou uma lei de agentes estrangeiros semelhante às da Rússia e Nicarágua, que, segundo ONGs de defesa dos direitos humanos, é usada pelo governo para silenciá-las.
Bukele goza de grande popularidade por sua "guerra" contra os grupos criminosos, baseada em um regime de exceção criticado por grupos humanitários por permitir prisões sem mandado judicial. Segundo as ONGs, esse regime também é usado contra os críticos do presidente.
P.Smith--AT