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Ataques dos EUA contra embarcações de supostos traficantes deixam 8 mortos
O Exército americano anunciou naa quarta-feira (31) que oito pessoas morreram em ataques contra três embarcações supostamente utilizadas pelo narcotráfico em águas internacionais, elevando para ao menos 115 o número de mortos em uma ofensiva que, segundo Washington, combate o transporte de narcóticos.
O Comando Sul dos Estados Unidos (Southcom), responsável pelas forças americanas que operam nas Américas Central e do Sul, anunciou duas rodadas de ataques realizados na terça e na quarta-feira.
Na terça-feira, "três embarcações do narcotráfico que viajavam em comboio" foram atacadas em "águas internacionais", afirmou em um comunicado no X.
"Três narcoterroristas a bordo da primeira embarcação foram abatidos no primeiro enfrentamento. Os narcoterroristas restantes abandonaram as outras duas embarcações, saltando pela borda e se afastando antes que enfrentamentos posteriores afundassem suas respectivas embarcações", indicou.
Junto com o comunicado oficial, publicado na rede X, um vídeo mostrava três botes que navegavam juntos no mar. Em seguida, uma série de explosões os atingiam. O comando não apresentou provas de que se tratava de narcotraficantes.
A localização exata dos ataques não foi informada de imediato. Ataques prévios ocorreram no Caribe ou no Pacífico Oriental.
O Exército disse que havia notificado a Guarda Costeira para "acionar o sistema de Busca e Resgate", sem oferecer mais detalhes sobre o destino dos que estavam a bordo dos outros botes.
Horas depois, o Comando Sul emitiu um segundo comunicado sobre ataques contra outras duas embarcações realizados na quarta-feira, nos quais cinco pessoas morreram. Novamente, não estava claro onde ocorreram os ataques.
- "Execuções extrajudiciais" -
Desde setembro, o Exército americano realizou mais de 30 ataques deste tipo contra o que afirma serem botes usados para contrabandear drogas aos Estados Unidos, sem fornecer nenhuma evidência concreta de que as embarcações atacadas estivessem envolvidas no tráfico.
Especialistas em direito internacional e grupos de direitos humanos afirmam que os ataques provavelmente equivalem a "execuções extrajudiciais", pois, aparentemente, tiveram como alvos civis que não representavam uma ameaça imediata para os Estados Unidos.
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos instou em particular as autoridades americanas a investigarem a legalidade desses ataques, ao apontar "sólidos indícios" de "execuções extrajudiciais".
O presidente americano Donald Trump vem realizando uma campanha de pressão contra o mandatário da Venezuela, Nicolás Maduro, nos últimos meses. Trump o acusa de dirigir um cartel de drogas.
Maduro, por sua vez, nega essa acusação e afirma que Washington tenta buscar uma mudança de regime para se apropriar das enormes reservas de petróleo do país sul-americano.
D.Johnson--AT