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Irã prende Narges Mohammadi, ganhadora do Nobel da Paz
As forças de segurança iranianas prenderam, nesta sexta-feira (12), de "forma violenta" a ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 2023 Narges Mohammadi, durante uma cerimônia em memória de um advogado falecido, informaram seus apoiadores.
"A Fundação Narges Mohammadi anunciou ter recebido informação confiável, segundo a qual Narges Mohammadi foi presa violentamente pelas forças de segurança e pela polícia há aproximadamente uma hora", informou a instituição em uma postagem publicada às 10h de Brasília em sua conta no X.
Mohammadi, que teve a liberdade condicional concedida em dezembro de 2024, foi presa junto com outros ativistas durante a cerimônia em memória de Khosrow Alikordi, acrescentou a fundação. A advogada francesa da ativista, Chirine Ardakani, confirmou a informação à AFP.
O marido de Mohammadi, Taghi Rahmani, que mora em Paris, também afirmou no X que a ganhadora do Nobel foi presa durante a cerimônia na cidade de Mashhad, no leste do Irã, juntamente com a proeminente ativista Sepideh Gholian.
Alikordi, de 45 anos, atuou na defesa de clientes em casos delicados, inclusive presos durante a repressão aos protestos nacionais que irromperam em 2022.
O Comitê Nobel condenou a detenção "brutal" em um comunicado.
"Dada a estreita colaboração entre os regimes do Irã e da Venezuela, o Comitê Nobel norueguês destaca que a senhora Mohammadi foi detida exatamente no momento em que o Prêmio Nobel da Paz acaba de ser concedido à líder da oposição venezuelana, María Corina Machado", afirmou.
A ONG Human Rights Activists News Agency (HRANA), com sede nos Estados Unidos, publicou imagens de Mohammadi assistindo à cerimônia, sem o véu obrigatório que as mulheres devem usar em espaços públicos no Irã.
Outras imagens exibidas em canais de televisão em persa sediados fora do Irã mostraram esta defensora dos direitos das mulheres embarcando em um veículo e incentivando as pessoas a repetirem as palavras de ordem.
Mohammadi, de 53 anos, esteve presa por três anos até ser libertada em dezembro do ano passado, uma medida temporária adotada por razões médicas. Sua equipe de advogados tinha advertido que ela podia voltar a ser presa a qualquer momento e que não podia deixar o país.
A.Ruiz--AT