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Trump espera 'grande reunião' com Xi Jinping na Coreia do Sul
Donald Trump afirmou, nesta quarta-feira (29), que espera resolver "muitos problemas" em uma reunião com o homólogo chinês, Xi Jinping, na Coreia do Sul, enquanto Pequim prometeu uma conversa "profunda" para evitar um agravamento da guerra comercial.
O presidente dos Estados Unidos antecipou que espera reduzir as tarifas contra a China relacionadas ao fentanil, um opioide sintético associado à epidemia do uso de drogas em seu país.
"Acredito que teremos uma grande reunião com o presidente Xi da China e muitos problemas serão resolvidos", declarou Trump durante a viagem para a Coreia do Sul a bordo do avião presidencial Air Force One.
"Estamos conversando com eles, não estamos entrando na reunião de maneira fria... Acho que vamos ter um resultado muito bom para o nosso país e para o mundo", acrescentou.
O Ministério das Relações Exteriores da China confirmou a reunião de quinta-feira na cidade de Busan, perto de Gyeongju (sul), onde os dois presidentes participam do encontro de cúpula do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec).
"Durante a reunião, os dois líderes terão uma comunicação profunda sobre temas estratégicos de longo prazo nas relações sino-americanas, assim como grandes temas de interesse mútuo", disse o porta-voz da diplomacia chinesa, Guo Jiakun.
O encontro de Trump e Xi é o momento mais aguardado da viagem do presidente americano pela Ásia, que começou na Malásia e teve o Japão como segunda etapa.
Os presidentes das duas maiores economias do mundo esperam evitar um novo agravamento na guerra comercial provocada pelas tarifas adicionais de 100% impostas por Trump aos produtos chineses.
Por sua vez, o governo dos Estados Unidos deseja que a China elimine as restrições à exportação de terras raras, minerais cruciais para as indústrias de tecnologia e defesa.
Negociadores dos dois países confirmaram ter alcançado uma "estrutura" de acordo comercial, mas dependerá de Xi e Trump confirmar o entendimento.
Contudo, William Yang, analista do International Crisis Group, comentou que parece haver uma "disparidade" nas expectativas.
Washington está "ansioso por alcançar qualquer acordo comercial que Trump possa declarar como uma vitória", enquanto a China se concentra em "construir mais confiança mútua, administrar as diferenças e fortalecer a relação comercial bilateral", disse.
- Uma coroa para Trump -
Trump chega à Coreia do Sul após visitar Malásia e Japão, onde na terça-feira teve uma reunião cordial com a nova primeira-ministra, Sanae Takaichi, e recebeu diversos presentes e elogios.
O presidente dos Estados Unidos recebeu nesta quarta-feira de seu homólogo sul-coreano, Lee Jae-myung, a principal condecoração do país, além da réplica de uma coroa dourada dos reis do antigo reino de Silla.
"É uma grande honra", reagiu Trump, acrescentando que gostaria de colocá-la "imediatamente".
A estratégia serviu para Seul alcançar um esperado acordo comercial com Washington.
Trump disse em um jantar com os líderes da Apec que os dois países haviam alcançado o pacto, antes de esclarecer que estava "praticamente" fechado.
O acordo foi confirmado posteriormente pelo principal assessor do presidente sul-coreano, Kim Yong-beom. Ele explicou que inclui, em particular, as tarifas alfandegárias sobre os automóveis e especifica o compromisso de Seul de investir 350 bilhões de dólares nos Estados Unidos (1,8 trilhão de reais).
Trump concordou em julho em reduzir para 15% os impostos sobre os produtos sul-coreanos em troca da promessa. As tarifas elevadas para os veículos, no entanto, permaneciam em vigor.
- Sem reunião com Kim -
O presidente republicano não se reunirá com o líder norte-coreano Kim Jong Un durante a viagem.
Trump havia convidado Kim para um encontro durante sua visita à Coreia do Sul, mas nesta quarta-feira declarou aos jornalistas que seu foco seria a reunião com Xi.
Antes da saída de Trump de Tóquio, Pyongyang surpreendeu com o anúncio do lançamento de mísseis de cruzeiro mar-terra, em uma demonstração de força contra supostos "inimigos".
O presidente americano, no entanto, deixou aberta a possibilidade de um encontro futuro com Kim.
Trump e Kim se reuniram pela última vez em 2019 na Zona Desmilitarizada (DMZ), a tensa fronteira da Guerra Fria que separa a Coreia do Norte da Coreia do Sul há décadas.
G.P.Martin--AT