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Dançar sem que 'ninguém nos olhe': festas para mães fazem sucesso na França
"Ninguém nos olha, eu gosto, é a liberdade!", afirma Nathalie, enquanto esquece por algumas horas suas obrigações familiares e profissionais em um das festas apenas para mulheres que, sob o conceito "Mamãe vai dançar", ganham popularidade na França.
São 19h30 de uma terça-feira em Paris, mas a pista de dança da Raspoutine, perto da Champs-Élysées, está cheia e seguirá assim até 22h. É dia de "Festa das Divas" na boate, onde dezenas de mulheres dançam ao ritmo de antigos hits da discoteca.
Os únicos homens no local são os garçons e um animador contratado para lançar coreografias e "animar aquelas que não se atrevem a dançar".
“Fazemos a festa imediatamente, é eficiente”, diz Julie, uma gestora de comunicação de 37 anos que veio diretamente do trabalho.
"É um conceito 'afterwork' de sete às dez da noite, exclusivamente feminino, destinado às mães, embora não unicamente. É para aquelas que querem se desconectar depois do dia de trabalho ou sair da rotina de escola-deveres-banho-janta das crianças", explica Constance d'Amécourt, que organiza esses eventos com duas amigas.
O conceito "Mamãe vai dançar" nasceu na Alemanha e, nos últimos anos, surgiram versões em várias cidades da França por iniciativa de jovens mulheres.
Os 260 ingressos para a segunda "Festa das Divas" na capital, celebrada em março, esgotaram em cinco dias.
As participantes, em sua maioria entre 30 e 60 anos, chegam depois do trabalho e muitas vão em grupo.
"Nos conhecemos fazendo kite surf e nos vemos duas vezes por mês, em restaurantes ou aulas de dança. Essa é mais uma atividade", explica uma médica.
Flore, que trabalha com recursos humanos e é mãe de quatro crianças de entre 3 e 9 anos, chega com cinco amigas.
Em casa "a atmosfera é complicada nesse momento, é bom se distrair, é uma bolha de alegria", diz Martine, de 71 anos, cujo marido "não gosta de dançar".
- "Nos sentimos seguras" -
"Meu marido me mostrou um documentário sobre essas festas na Alemanha, liguei para pessoas do mundo dos eventos, mencionei o assunto ao meu redor e disse: 'Vale a pena tentar!'”, explica uma das organizadoras, Lucie de Gourcuff, que pretende realizar duas "Festa das Divas" em Paris todos os meses.
A terceira está prevista para 8 de abril em uma boate que pode receber o dobro de pessoas.
Por que sem homens? "Com a presença de homens, as mulheres prestam mais atenção em sua fisionomia, se perguntam o que vão pensar delas ou estão no modo de sedução. Aqui nos libertamos", confessa Isaure, mãe de duas crianças de 5 e 7 anos.
"Algumas apreciam não serem incomodadas pelo gênero masculino que pode ser um pouco insistente nas festas. Quando saio, não solto meu copo por medo de que ponham algo. Aqui nos sentimos seguras", explica Kelly Forêt, de 32 anos, que trabalha no setor imobiliário e lançou as festas "Mamãe e suas amigas" na cidade de Nantes, no oeste da França.
Os copos são deixados sobre as mesas sem supervisão. No bar, servem champanhe sem álcool, vinho rosé, refrigerantes. A fórmula das "Festas das Divas", por 45 euros (281 reais), inclui bebidas e um bufê composto por salmão, frutas, tomates-cereja e bolos.
São 22h e a boate começa a fechar. "Tenho a sensação de que já são duas da manhã", diz Indre, mãe de duas crianças de um e cinco anos.
"Mas não estamos bêbadas nem cansadas. Às onze estarei na cama e amanhã pronta às sete para o café da manhã das crianças", afirma Elisabeth com um sorriso no rosto.
H.Gonzales--AT