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Chefe do Estado-Maior israelense se demite por 'fracasso do 7 de outubro'
O chefe do Estado-Maior israelense apresentou sua demissão, nesta terça-feira (21), pelo "fracasso" ao não impedir o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, quando milicianos do movimento islamista palestino atacaram Israel, um anúncio que ocorre três dias depois do início de uma frágil trégua em Gaza.
Em sua mensagem, o general Herzi Halevi reconheceu sua "responsabilidade no fracasso do exército em 7 de outubro" e declarou que pediu para pôr fim a suas funções "em um momento em que as forças armadas obtêm êxitos significativos em todas as frentes".
Halevi, cuja renúncia se tornará efetiva em 5 de março, relativizou, no entanto, dizendo que "não foram alcançados todos" os objetivos da guerra, após mais de 15 meses de conflito.
As forças israelenses mataram cerca de "20 mil agentes" do movimento islamita palestino desde o inicio da guerra, afirmou horas depois de apresentar sua renúncia.
O líder da oposição israelense, Yair Lapid, do partido centrista Yesh Atid (Há um Futuro), aproveitou a demissão do general Halevi para pedir a renúncia do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e de "todo o seu governo catastrófico".
Netanyahu prometeu no início da ofensiva aniquilar o Hamas e resgatar todos os reféns.
O conflito começou em 7 de outubro, quando milicianos islamistas atacaram o sul de Israel e mataram 1.210 pessoas, em sua maioria civis, de acordo com uma contagem da AFP com base em dados oficiais israelenses.
Os islamistas também capturaram 251 pessoas durante o ataque, 91 das quais continuam em cativeiro em Gaza, incluindo 34 que o exército considera mortas.
Em resposta, Israel lançou uma feroz ofensiva em Gaza que já deixou 47.107 mortos, principalmente civis, de acordo com dados do Ministério da Saúde do governo do Hamas, que governa este território palestino. A ONU considera que os números são confiáveis.
O Hamas libertou no domingo três reféns israelenses, como parte de um acordo de trégua mediado com a ajuda do Catar, Egito e Estados Unidos. Israel soltou 90 palestinos em troca.
- "Boa-fé" -
O movimento libertará outras "quatro mulheres israelenses" no sábado, em "troca de um segundo grupo de prisioneiros palestinos", informou nesta terça-feira à AFP Taher al Nunu, um alto funcionário do Hamas, classificado como organização "terrorista" por Israel, Estados Unidos e União Europeia.
As trocas de reféns israelenses por prisioneiros palestinos ocorrem após um ano de árduas negociações indiretas. A primeira ocorreu na véspera da posse de Donald Trump para seu segundo mandato como presidente dos Estados Unidos.
O primeiro-ministro do Catar, Mohamed bin Abdulrahman al Thani, pediu a Israel e ao Hamas que demonstrem "boa-fé" para implementar o acordo de trégua e alcançar "a fase dois", que consiste em um "cessar-fogo permanente".
Um porta-voz da diplomacia catari advertiu que qualquer violação ou decisão política pode levar ao "colapso" do acordo.
Trump - que atribuiu a si próprio o mérito pelo acordo de cessar-fogo - afirmou que duvida da manutenção do pacto.
"Não é nossa guerra, é a guerra deles. Mas não confio", declarou Trump.
A primeira fase do acordo de trégua prevê a libertação de cerca de 1.900 palestinos presos por Israel em troca de 33 reféns israelenses retidos em Gaza, assim como a entrada de ajuda humanitária à Faixa.
No entanto, há incerteza sobre o que virá a seguir, pois durante esta fase, de 42 dias, serão negociadas as modalidades da segunda etapa, que deve permitir a libertação dos últimos reféns.
Se as duas primeiras etapas do acordo ocorrerem conforme o previsto, a terceira e última fase prevê a reconstrução de Gaza e a devolução dos corpos dos reféns mortos.
- "Só escombros" -
Além da falta de itens essenciais, quase toda a população de Gaza foi forçada a abandonar suas casas devido aos bombardeios e combates.
Desde o domingo, milhares de moradores de Gaza deslocados pelos combates fazem o penoso caminho de volta para suas casas e muitos encontraram apenas ruínas.
"Não sobrou nada da nossa casa, só escombros, mas é nossa casa", lamentou Rana Mohsen, de 43 anos, ao voltar a Jabaliya, no norte do território.
Segundo a ONU, a reconstrução do território, onde quase 70% da infraestrutura foram danificadas ou destruídas, demorará até 15 anos e custará mais de 50 bilhões de dólares (R$ 302 bilhões, na cotação atual).
A guerra em Gaza também reavivou a violência na Cisjordânia. Pelo menos dez palestinos morreram nesta terça-feira em uma importante operação militar israelense no campo de refugiados de Jenin, informou a Autoridade Palestina, que administra parcialmente esse território ocupado por Israel desde 1967.
Ch.P.Lewis--AT